Explosão mata dois em Santo André; loja não podia vender fogos, afirma prefeitura

SÃO PAULO - A explosão de uma loja de fogos de artifício no bairro Silveiras, em Santo André, na Grande São Paulo, deixou dois mortos e 12 feridos na tarde desta quinta-feira, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Além disso, três casas foram destruídas e 30, evacuadas, afetando cerca de 100 pessoas, de acordo com o diretor da Defesa Civil de Santo André, João Batista Camargo.

Nara Alves, repórter do Último Segundo |


AE
Bombeiros no resgate às vítimas
A prefeitura da cidade ainda informou que todos os 12 feridos sofreram apenas escoriações leves. Destes, dois foram transferidos de hospital, outros dois estão em observação no Centro Hospitalar Municipal, e oito já tiveram alta. O Corpo de Bombeiros informou que uma das vítimas fatais era a empregada doméstica Ana Martins, de cerca de 60 anos. A outra vítima é um homem de cerca de 40 anos, mas ainda não foi identificado. As buscas por vítimas foram encerradas no começo da noite desta quinta-feira.

De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Mauro Lopes, a única pessoa ainda desaparecida é o dono da loja de fogos, Sandro Luiz Castellani.

Alvará

De acordo com a Secretaria de Comunicação de Santo André, a loja não tinha alvará para a venda de fogos de artifício. A prefeitura informou em nota que o comércio de fogos de artifício na cidade é regido pela lei municipal 6.633/90, que determina que a venda do produto deve ser no varejo e permite o comércio por 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias.

Segundo a prefeitura, em 7 de maio de 2009, o responsável pelo local entrou com um pedido para venda de fogos de artifício no varejo. No dia 23 de junho, a prefeitura comunicou ao interessado que este precisava apresentar um novo Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento necessário para conseguir o alvará de funcionamento, tendo em vista que o vencimento deste foi em 16 de junho.

Mas, como o dono da loja não teria apresentado o novo AVCB, o pedido para a venda de fogos de artifício foi negado no último dia 14, sendo comunicado ao solicitante no último dia 16.

"Enviamos dois comunicados solicitando o laudo dos bombeiros. A loja
tinha alvará para comércio, mas para fogos, não", disse o secretario de Habitação, Frederico Muraru Filho. "A cidade é grande. Por isso, damos prioridade na fiscalização de onde há denúncia, e que eu saiba, não houve denúncia neste local".

A explosão

A explosão aconteceu minutos antes de os bombeiros serem acionados, às 12h45. O Comandante dos Bombeiros do Estado de São Paulo, Luis Alberto Navarro, afirmou que no estabelecimento havia muita pólvora e que a partir do centro da explosão, duas quadras foram atingidas.

O Corpo de Bombeiros cercou quatro quarteirões em torno da rua em que aconteceu o acidente - rua Américo Guazzelli, próxima ao Estádio Bruno José Daniel. 

Cerca de 70 agentes da Guarda Municipal de Santo André trabalharam no local do acidente junto com outros 35 profissionais da Defesa Civil, 30 do Serviço de Saneamento Ambiental, além de 12 viaturas do Samu, 20 agentes de trânsito e cães farejadores .

Logo após o acidente, a assessoria de imprensa do Gabinete da Prefeitura de Santo André informou, erroneamente, que 11 pessoas teriam morrido em decorrência do acidente. Minutos depois, recuou e disse que não daria novas informações devido aos equívocos anteriores.

Adriano Lima/Futura Press
Adriano Lima/Futura Press
A explosão atingiu ao menos dez estabelecimentos no bairro Silveiras, em Santo André, na Grande São Paulo

"Parecia o fim do mundo"

Sônia, de 55 anos, que mora a cerca de 600 metros do local, contou ter ouvido "uma explosão atrás da outra". "Ouvi um barulho muito forte, olhei pela janela e vi fogo. Parecia o fim do mundo", afirmou ela, que, assustada, se escondeu atrás da parede do corredor de sua casa. "A redondeza está horrível, tem gente correndo, chorando", afirmou.

Uma internauta do Último Segundo , que mora em Santo André, a aproximadamente sete quilômetros do local, disse que ouviu o barulho de casa. Pensamos que tinha caído um avião. Foi um barulho muito forte , disse Raquel.

Outro leitor do Último Segundo disse que "o cheiro de pólvora era muito forte" e mandou fotos da fumaça .

O guarda municipal Antônio Scaramel afirmou que sua irmã, dona de uma corretora de seguros localizada na esquina da rua Américo Guazzelli, relatou que o barulho foi assustador. "Pensei que fosse um avião que tivesse caído", disse.

Famílias atingidas

A Defesa Civil montou uma unidade móvel próxima ao local para fazer o cadastro das famílias que tiveram suas casas atingidas. O secretário-adjunto da Defesa Civil, Henrique Mioto, afirmou que as vistorias das residências será feita nesta sexta-feira. "Hoje, por conta da falta de luz, não vai dar para fazer. A vistoria será feita amanhã". A partir das 16h desta quinta, os moradores da região começaram a retornar às casas atingidas acompanhadas de agentes da Defesa Civil para recuperar o que sobrou de seus bens. Há 20 asssistentes-sociais trabalhando junto às famílias no local.

Região onde ocorreu a explosão:


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