Expectativa com economia empurra Lula e Dilma para cima

Por Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - Apesar da crise financeira global, a economia foi o principal motivo da melhora do desempenho do pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) junto ao eleitorado, mostrou pesquisa do Instituto Sensus.

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De acordo com a sondagem, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), a aprovação ao presidente foi de 81,5 por cento, um dos patamares mais altos registrados desde o início do primeiro mandato. Em março, Lula era aprovado por 76,2 por cento.

Pré-candidata à sucessão presidencial em 2010, Dilma reduziu a diferença para seu concorrente principal, o governador paulista José Serra (PSDB). Ela aumentou a intenção de voto para 23,5 por cento, frente a 16,3 por cento em março. Em sentido inverso, Serra caiu de 45,7 por cento para 40,4 por cento em maio.

O resultado, de acordo com o Sensus, reflete a expectativa positiva quanto à economia nos próximos seis meses e baseia-se em sensíveis melhoras nos indicadores que medem o otimismo do brasileiro em relação a emprego, renda, saúde, educação e segurança pública.

A economia brasileira vem sofrendo as consequências da crise financeira mundial. A previsão do mercado é de crescimento abaixo de 1 por cento, contra 5,1 por cento registrado no ano passado.

Ainda assim, a avaliação positiva do governo Lula também subiu, para 69,8 por cento, frente a 62,4 por cento em março. Em janeiro, o índice chegava a 72,5 por cento.

REJEIÇÃO

A rejeição aos dois principais postulantes ao Palácio do Planalto também foi medida. Mais de 94 por cento do eleitorado tem algum nível de conhecimento sobre o tucano, com rejeição de 25,9 por cento entre os entrevistados.

A marca é superior aos 32,4 por cento que afirmaram não votar em Dilma Rousseff, conhecida ou lembrada por 72 por cento dos entrevistados.

"Quem tem até 35 por cento de rejeição está dentro do jogo político", afirmou Ricardo Guedes, diretor da sondagem.

"A rejeição a Dilma é maior, mas não é proibitiva", acrescentou, lembrando que, em 2002, Lula conseguiu vencer uma rejeição superior a 35 por cento.

Junto com o Datafolha divulgado no domingo, esta é a primeira pesquisa realizada depois que Dilma anunciou que faz tratamento para combater um câncer linfático. Segundo Guedes, a doença não teve impacto sobre o desempenho eleitoral dela.

Também cotado nos cenários eleitorais do ano que vem, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), perderia em todas as projeções da sondagem.

TERCEIRO MANDATO

A Constituição brasileira permite apenas uma reeleição. Mesmo assim, Lula lidera a lista espontânea de candidatos, na qual o entrevistador pergunta apenas em quem o entrevistado votaria se as eleições fossem hoje, sem apresentar uma lista de nomes.

O resultado mostra que, além de encabeçar o ranking, a intenção de voto ao presidente saltou 10 pontos percentuais, passando de 16,2 por cento para 26,2 por cento.

"A tese do terceiro mandato pode ter reacendido um pouco essa opção."

Ainda no levantamento espontâneo, Dilma e Serra aparecem tecnicamente empatados pela primeira vez, com 5,4 por cento e 5,7 por cento, respectivamente.

A pesquisa CNT Sensus ouviu 2.000 pessoas, em 24 Estados, entre os dias 25 e 29 de maio. A margem de erro da sondagem é de 3 pontos percentuais.

(Edição de Carmen Munari)

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