Ex-ouvidor denuncia espionagem no governo gaúcho

O ex-ouvidor da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, denunciou hoje a existência de escutas ilegais praticada por agentes públicos e, ao mesmo tempo, discussões de favorecimentos políticos entre funcionário próximo ao gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB) e pessoas ligadas a prefeituras do interior do Estado reveladas pela espionagem. Exonerado na terça-feira sem sequer ter sido comunicado formalmente pela governadora - soube por terceiros que leram o Diário Oficial -, Paiani decidiu entregar à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) o relatório que preparava para o Executivo, no qual aponta as irregularidades.

Agência Estado |

"Não sou mais ouvidor, meu compromisso é com a sociedade", afirmou, ao encaminhar o material ao presidente da Seccional Rio Grande do Sul da OAB, Cláudio Lamachia.

Apesar de divulgar a existência de irregularidades, Paiani não apontou nomes nem detalhou o esquema. Disse apenas que a área de segurança sabe que a espionagem é praticada há alguns anos, mas não toca no assunto ou por medo ou por falta de provas. Como recebeu um CD com meia hora de gravação de seis conversas, de fonte que preserva, o ex-ouvidor decidiu tornar o caso público. A OAB vai analisar o material e pode divulgá-lo na semana que vem, adiantou Lamachia.

O ex-ouvidor disse que as gravações envolvem um funcionário próximo ao gabinete da governadora Yeda Crusius e agentes ligados a prefeituras do interior. Nos diálogos, as partes estariam tratando de favorecimentos políticos em setembro e outubro do ano passado, coincidentemente época eleitoral. "

O governo do Estado não comentou o relatório e a entrevista de Paiani, mas deu a entender que não ficará parado. A Secretaria da Segurança Pública decidiu abrir um inquérito para apurar as denuncias e encarregou a delegada Adriana Costa de comandar as investigações.

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