Ex-militante estudantil, Juca Ferreira assume Cultura

Por Fernanda Ezabella SÃO PAULO (Reuters) - Ex-militante estudantil, o sociólogo e ambientalista Juca Ferreira deixará para trás, pelo menos por ora, o papel de braço direito para assumir o comando do Ministério da Cultura com a saída de Gilberto Gil da pasta.

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Ferreira foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro interino, mas segundo Gil a intenção do presidente é manter o sociólogo à frente do ministério.

Desde que Gil assumiu a pasta, no início do primeiro mandato do presidente Lula, Ferreira era secretário-executivo.

Ele já vinha atuando como ministro interino quando o músico tirava férias ou viajava para suas turnês.

Gil anunciou sua saída em entrevista coletiva nesta quarta-feira.

Natural de Salvador, Ferreira foi militante estudantil e passou nove anos exilado no Chile, na Suécia e na França, onde se formou sociólogo, durante o regime militar.

Ao voltar ao Brasil após a anistia, desenvolveu diversos projetos na área de cultura, como o Projeto Axé, de arte-educação para adolescentes em situação de risco social.

Ferreira, do Partido Verde, foi Secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Salvador e também assessor especial da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Eleito duas vezes vereador em Salvador, em 1992 e 2000, Ferreira foi convidado por Gil para integrar seu ministério em 2003.

LUTA POR VERBAS

No momento, Ferreira trabalha em um grande pacote cultural que engloba mudanças na Lei Rouanet, de incentivos fiscais, e adoção de novos mecanismos de fomento à atividade cultural. O pacote vem sendo negociado com o governo e o Congresso.

Defensor de uma reforma na Lei Rouanet, Ferreira também lutou ao lado de Gil em 2004 e 2005 pela criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), para fomentar e fiscalizar o setor. O projeto foi alvo de duras críticas, dividiu a classe artística e acabou caindo no esquecimento.

Assim como Gil, Ferreira também batalha para um aumento da verba da pasta, que era de 0,2 por cento do total do orçamento da União em 2003 e foi para 0,6 por cento em 2007. Segundo Ferreira, o ideal seria 2,5 por cento, mas no mínimo 1 por cento, como recomenda a ONU.

'A cultura demonstrou ser uma atividade importante economicamente, em geração de renda, em ocupação, e isso vem reforçar nossa luta para que o governo inclua nas políticas econômicas também toda essa atividade cultural.'

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