GOIÂNIA - O Tribunal do Júri de Taguatinga condenou a 30 anos de prisão o ex-médico Denísio Marcelo Caron, de 46 anos. O réu respondeu pela morte de Grasiele Murta Oliveira, 26, e Adcélia Martins de Souza, 39. Caron foi denunciado por homicídio qualificado, omissão de socorro e exercício ilegal da medicina, já que trabalhava com diploma falso.

TJ de Goiás
Tribunal de Justiça de Goiás
O ex-médico Marcelo Caron
Segundo dados da denúncia, Marcelo Caron começou a realizar cirurgias de lipoaspiração e mamoplastia, na cidade de Goiânia, em março de 2000, com pouco mais de dois anos de exercício profissional e sem qualquer aperfeiçoamento técnico-científico. Em abril do ano seguinte, o Conselho Regional de Medicina de Goiás já havia recebido 24 reclamações.

A partir de então, o Ministério Público de Goiânia firmou com Caron um termo de ajustamento de conduta para que ele não realizasse novas cirurgias até decisão deste julgamento. De acordo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o acusado teria desrespeitado o acordo com o Ministério Público e se transferido para Brasília, onde passou a exercer ilegalmente a medicina. Ele teria realizado cirurgias no Hospital Santa Marta e no Centro Cirúrgico do Hospital Anchieta, ambos em Taguatinga, no Distrito Federal.

O julgamento

Nos depoimentos, a mãe e a irmã de Grasiela afirmaram que o ex-médico se recusou a vir atender a paciente, quando foi acionado pela família.

Segundo os testemunhos, ele disse que não poderia deixar a cidade de Goiânia, onde residia, porque precisava cuidar de seus cavalos. Elas afirmaram, ainda, que Marcelo Caron disse que as reclamações da moça eram "manha de filha caçula". Grasiela faleceu por infecção generalizada, um mês depois de ter sido operada por Caron.

Em entrevista a jornalistas, Caron chegou a dizer que sustenta um currículo com mais de duas mil cirurgias bem sucedidas. Ele afirmou que nunca se recusou a atender um paciente.

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