Ex-médico acusado de provocar morte após cirurgia plástica é julgado em Goiás

GOIÂNIA ¿ O julgamento do ex-médico Marcelo Caron, acusado de ter provocado a morte da Janet Virgínia Novais Falleiro, já dura mais de nove horas. Janet morreu em decorrência de complicações resultantes de uma cirurgia de lipoescultura realizada por Caron. As informações são do Tribunal de Justiça de Goiás. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara iniciou a sessão às 9h10 desta terça-feira.

Redação |

Pela manhã, foram ouvidas seis testemunhas - três de acusação e outras três para a defesa. Por volta das 14h30, o juiz iniciou o interrogatório do réu, que durou duas horas. Até o momento, ocorrem os debates orais entre o Ministério Público e defesa.  A previsão é de que a sessão termine após às 21h.

Segundo a assessoria do tribunal, durante o interrogatório, Caron sustentou sua inocência e afirmou que possui plena capacidade de atuar como cirurgião plástico. O estágio, que foi o que fiz no Hospital Mário Gatti, é o mesmo que residência. Apenas não tem o reconhecimento do Ministério da Educação e Cultura (MEC) nem garante remuneração ao estagiário. Contudo, as práticas são as mesmas, o aprendizado, o mesmo, explicou.

Para Caron, as cassações de seus registros pelos Conselho Regional (CRM) e Federal de Medicina (CFM) foram as mais rápidas já vistas por ele no Brasil. Na época em que as acusações caíram sobre mim, o CRM vinha sendo taxado de corporativista pela mídia e considerado uma espécie de máfia branca e é sob essa pressão que meus registros foram cassados, afirmou.

Lembrando que não recorreu da sentença que o mandou a júri popular, Caron afirmou que fez questão de se submeter a julgamento, pois acredita não ser responsável pela morte de Janet. Há casos e casos e, neste, tenho certeza de minha inocência, afirmou, chorando, e lamentando o fato de a equipe médica responsável pelo tratamento da vítima não ter assumido sua parcela de responsabilidade pelo fato. Não houve hombridade, afirmou.

Segundo o ex-médico, durante a lipoescultura realizada por ele, houve a perfuração das alças do intestino da vítima, situação que, em seu entendimento, requeria a realização de drenagem. Contudo, quando a outra equipe assumiu, eu me mantive firme na convicção de que era necessário colocar um dreno e, diante da resistência dos colegas, fui afastado do caso e eles seguiram o tratamento. Fizeram uma laparotomia e o resultado foi fatídico. Apenas após a terceira cirurgia é que admitiram que realmente o dreno era necessário. Mas aí já era tarde demais comentou.

Ainda durante o interrogatório, Caron foi questionado pelo MP sobre os 29 casos de lesões corporais pelos quais foi acusado, oportunidade em que ele afirmou que já foi absolvido de 25 deles. Ele garantiu, também, ter conhecimento de outros médicos em Goiânia que cometeram muitos e até mais erros do que os que lhe foram atribuídos.

Concunhada de Caron, Janet morreu em 14 de janeiro de 2001, no Hospital e Maternidade Vida, no Setor Marista, região Sul de Goiânia, cinco dias depois de se submeter a uma lipoescultura com ele. O procedimento teria causado complicações que lhe causaram a morte por septicemia aguda.

Antes do início do julgamento, os advogados de Caron, Douglas Dalto Messora e Rodrigo Lustosa Pinto, entraram com um pedido de adiamento, argumentando que exames médicos não foram realizados durante o processo criminal. O promotor do caso, João Teles, se manifestou contra o adiamento e o juiz decidiu por dar início aos procedimentos.

Crimes

Janet era concunhada do ex-médico e foi operada no dia 5 de janeiro de 2001, no Hospital e Maternidade Vida, no Setor Marista, região Sul de Goiânia. Ela teve complicações e morreu no dia 14 do mesmo mês.

Caron é acusado de ter provocado a morte de cinco mulheres - três delas na capital goiana e outras duas em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal - além de ter causado deformações físicas em outras 29 por complicações cirúrgicas entre 2000 e 2002, quando foi preso e saiu da cadeia quatro dias depois.

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