Ex-jogadores são convocados para luta contra hepatite C

Esta doença é mais comum no mundo do futebol; Ministério da Saúde lançou plano contra todos os tipos de hepatites

Fernanda Aranda, iG São Paulo |

A doença é silenciosa e pode demorar anos para apresentar o primeiro sintoma. Além disso, até hoje a hepatite C era um problema de saúde invisível para as estatísticas oficiais. Nesta quarta-feira, 28, o Ministério da Saúde lançou a primeira grande campanha de combate ao vírus, com objetivo duplo: ampliar o diagnóstico e tratamento, além de conscientizar sobre os grupos que podem estar doentes, sem nem ao menos saber sobre a infecção.

Para este último objetivo, o governo convocou os craques Félix (ex-goleiro da seleção), Jairzinho e Paulo César Caju como garotos propaganda. O motivo é que os ex-jogadores, em especial os que atuaram entre 1940 e o final da década de 70, estão entre os mais vulneráveis à hepatite C.

Neste período, nos vestiários e concentrações era comum compartilhar seringas com substâncias para aumentar a massa muscular e melhorar o desempenho físico, procedimentos permitidos na época. O resultado disso foi a disseminação do vírus transmissor da hepatite C. Pesquisas realizadas pela USP de Ribeirão Preto e pela Fundação Oswaldo Cruz já mostraram que entre os ex-jogadores de futebol, em média, 7% estão infectados. Na população em geral, a estimativa não chega a 2%.

Outras hepatites

Se os atletas estão no alvo da hepatite C, um outro tipo da doença, chamada de hepatite B, é mais comum entre os jovens e profissionais que atuam nos salões de beleza. Transmitida pelo sexo sem proteção e também pelo uso de alicates sem esterilização correta, a doença acomete – em especial – as pessoas com menos de 30 anos e também as manicures e pedicures. Um levantamento feito pelo Instituto Adolfo Lutz mostrou que 10% destas profissionais têm a doença.

Como estratégia para reverter o contágio e aumentar a proteção da população da vacina, o Ministério da Saúde anunciou também nesta quarta-feira que o público alvo que pode receber a vacina gratuita contra este tipo de doença será ampliado . Hoje podem receber as doses de graça pessoas entre 0 e 19 anos. No ano que vem, a faixa etária entre 20 e 24 será incluída e, em 2012, a vacinação será estendida para pessoas até 29 anos.

Para ficar totalmente imunizado é preciso tomar três doses. Os profissionais de salões de beleza também podem ser protegidos gratuitamente. A vacina só protege contra a hepatite B. Os outros tipos não contam com vacinação.

A “A”

Além dos tipos B e C, existe ainda a hepatite A, transmitida por água e alimentos contaminados. Ampliar a estrutura de saneamento básico e ter hábitos de higiene antes das refeições são as maneiras ideais de coibir a contaminação.

Números atualizados

No evento de hoje, o Ministério também divulgou números atualizados sobre as hepatites, com o compromisso de atualização freqüente dos chamados coletins epidemiológicos.

No País, dados do Ministério da Saúde revelam que de 1999 a 2009 o total de casos confirmados de hepatite B é 96.044. Mais de 50% dos casos se concentram entre indivíduos de 20 e 39 anos e cerca de 90% são agudos. NO mesmo período, os registros de hepatite A saíram de 6.837 para 10.912, ampliação de 37,2%. Já a hepatite C era a mais subnotificada. Em 1999 foram reportados apenas 427 notificações, quantidade que subiu para 20.546 no ano passado.

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