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Existem apenas simples suspeitas contra pai e madrasta de Isabella, diz desembargador

SÃO PAULO ¿ O desembargador Caio Canguçu de Almeida, 68 anos, responsável pela decisão que deu liberdade a Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, no caso que apura a morte da menina Isabella Nardoni, disse em entrevista exclusiva concedida ao Fantástico que até o momento a polícia tem apenas ¿simples suspeitas¿ contra o casal. ¿A polícia está focada na conduta do casal, ao que foi dado conhecer ao Tribunal, não há dados concretos contra os dois¿, disse em sua casa em Campinas, no interior de São Paulo.

Redação |

O desembargador contou que estava ciente de que sua decisão era contrária ao que queria à opinião pública e contou, inclusive, que recebeu uma ligação de uma pessoa indignada. Foram ao todo três dias de estudos para decretar a liberdade do casal

A decisão não é manifestação de culpado ou inocente, destacou o desembargador. Para ele, quem se apresenta diante da justiça depois de decretada a prisão deixa claro que não prejudicará as investigações. Ainda de acordo com o desembargador, fatos que venham a acontecer podem levar à nova prisão do casal.

Saída da prisão

Anna Carolina deixou o 89º Distrito Policial (DP), localizado no Portal do Morumbi, na zona sul de São Paulo, por volta das 15h30 desta sexta-feira. Ela estava presa desde a última quinta-feira, dia 3, por suspeita de envolvimento na morte de Isabella.

A saída de Anna Carolina foi marcada por protestos de um pequeno grupo que estava em frente à delegacia. Logo depois foi encaminhada ao IML para fazer exame de corpo de delito.

Segundo informações da polícia, Anna Carolina soube da decisão da Justiça pela televisão ainda quando estava na cela. Ela teria chorado muito.

Também sob protestos e muita confusão, Alexandre Nardoni, de 29 anos, pai de Isabella e que estava detido no 77º Distrito Policial (DP), localizado no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo, foi solto por volta das 14h35 ( leia mais aqui ). 

Para TJ, pai e madrasta não atrapalham investigação

O desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, argumentou em sua decisão que Nardoni e Anna Carolina não deram nenhuma prova de que possam comprometer, dificultar ou impedir a apuração das investigações, no despacho em que deferiu o pedido de habeas-corpus do casal.

Em sua decisão, o desembargador aponta ainda que o fato de Alexandre e Anna Jatobá terem se apresentado espontaneamente pesou em favor da decisão.

No despacho, Almeida aponta que a prisão temporária é uma medida excepcional, "tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei, imperiosa à apuração da autoria do fato criminoso e à produção de provas que se tornariam inviáveis com os investigados em liberdade".

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".


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