Exibição mostra influência de Homero na civilização ocidental

BASEL, Suíça (AP) - Não, com certeza não é um símbolo do temido vírus de computador. Montado na parte externa do Museu de Antiguidades de Basel, a estrutura de madeira de nove metros sugere como o mítico cavalo de Tróia pode ter sido.

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A escultura chama atenção para uma exibição única sobre Homero, o poeta grego cujos épicos monumentais tiveram impacto na cultura ocidental por mais de 2500 anos.

O "cavalo" proverbial é apenas um pequeno capítulo da poderosa narrativa de Homero que influenciou a arte de vasos gregos pintados em 600 d.C. ao expressionismo abstrato americano. A literatura também foi estimulada pelo trabalho de Homero por mais de dois milênios.

A prova está em mais de 230 itens em exposição sob o título "Homero, o Mito de Tróia em Arte e Prosa". Mais de 50 museus europeus e americanos emprestaram peças para o evento. Seu diretor artístico, professor Joachium Latacz, autoridade internacional em Grego antigo, espera que a exposição desperte interesse nas raízes da civilização ocidental.

Latacz lamenta o que chama de "crescente separação" entre a antiguidade e o público geral nas últimas décadas. Ele cita um estudo realizado na Alemanha no qual 15% dos estudantes do ensino médio, quando questionados sobre Homero (Homer, em inglês e alemão), o identificaram como personagem da série de tevê "Os Simpsons".

Em exposição estão magníficos vasos que retratam cenas dramáticas dos dois épicos de Homero. Na "Ilíada", com cerca de 16000 versos, ele descreve um breve período da guerra de 10 anos em Tróia, supostamente vencida pelos gregos no século 13 a.C.

Em uma sequência de 12000 versos, a "Odisséia", Homero conta a perigosa viagem de 10 anos realizada pelo líder grego Odisseu a seu reino na ilha de Ítaca, ele é creditado como o idealizador da idéia do cavalo de Tróia.

Moedas, estátuas, fragmentos de textos em papiro egípcio e outros artefatos também ressaltam o efeito dominante dos épicos de Homero na cultura ocidental desde a antiguidade.

As pinturas em exposição são apenas uma parte da imensa influencia imagética do poeta. Elas vão de cópias de afrescos romanos a quadros do artista pop alemão Sigmar Polke e Cy Twombly, figura chave do expressionismo abstrato americano. O catálogo lista muitos outros, de Rembrandt a Picasso.

Em uma sala especial os visitantes poderão ver uma instalação em vídeo do artista americano Peter Rose, intitulada "Odysseus on Ithaca" (Odisseu em Ítaca, em tradução literal). O filme "Tróia", de 2004, estrelado por Brad Pitt e Peter O'Toole, é outro exemplo que foi inspirado pelo épico de Homero.

Escritores na antiga Grécia, tanto quanto Dante, Shakespeare e James Joyce estão entre os incontáveis autores que sofreram a influência do poeta, da mesma forma que os compositores clássicos e modernos. Mesmo um musical americano de 1954 "The Golden Apple", bebeu da fonte da "Ilíada" e da "Odisséia".

Em uma breve e divertida passagem, o catálogo retrata uma família fictícia americana para demonstrar a influência de Homero no comércio da vida diária. O pai tem problemas com seu computador por causa de um vírus Trojan (Cavalo de Tróia, em tradução livre). A mãe pensa se deve comprar produtos de higiene pessoal Helena de Tróia no supermercado. A família espera pelas férias em que viajarão usando a SUV da Honda, chamada Odissey (Odisséia, em tradução literal).

Na capa do catálogo da exposição uma imagem de um busto de mármore de Homero, cópia romana do original grego de cerca de 460 a.C. Na imagem, um homem barbado de olhos fechados. Acredita-se que ele fosse cego. Na verdade, pouco se sabe sobre o poeta que supostamente viveu no século oito a.C. Escavações em andamento desde o século 19 ainda não localizaram ruínas da cidade de Tróia, que de acordo com Homero foi destruída pelos gregos vencedores.

No entanto, Latacz diz que os estudiosos concordam que Tróia estava situada na entrada sul dos Dardanelles no que hoje é a Turquia. Para Latacz, há evidências suficientes de que Homero nasceu em Smyrna, hoje o importante porto turco de Izmir, e trabalhou nas ilhas gregas de Chios, na costa oeste da Turquia.

Latacz se une a outros especialistas ao rejeitar a tese recentemente estabelecida pelo autor austríaco, Raoul Schrott, em um livro rotulado em sua capa como "sensacional". Schrott afirma ter achado provas de que Tróia era na verdade uma fortaleza no antigo reino da Assyria, hoje Anatolia, na Turquia. Para Schrott, Homero era um escrivão da corte cuja ambição por escrever surgiu para compensar a perda de sua masculinidade, uma vez que todos os homens que trabalhavam para o rei tinham que ser castrados.

Para Latacz, o livro narra "pura fantasia". Mas ele não lamenta sua publicação no mês passado pois aumentou a atenção da mídia à exposição, que vai até o dia 17 de agosto.

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