Exército pede desculpas a mães de jovens mortos no Rio

RIO DE JANEIRO - Parentes dos três jovens do Morro da Providência encontrados mortos no fim de semana ouviram, nesta terça-feira, do general Mauro César Lorena Cid, comandante da 9.ª Brigada de Infantaria, o primeiro pedido de desculpas formal do Exército. Acompanhadas de advogados, as mães das vítimas foram até o Ministério Público Estadual para ter acesso ao inquérito e formalizaram uma denúncia contra a União sob a acusação de triplo homicídio qualificado.

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General se desculpa por morte de garotos
O general Mauro César Lorena Cid anunciou, em reunião com líderes da comunidade, no centro da capital fluminense, que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e integrantes do alto escalão do Exército estão a caminho do Rio para decidir sobre a eventual permanência das Forças Armadas na comunidade.

Segundo líderes comunitários, as obras do projeto Cimento Social no morro deverão ser retomadas até quinta-feira, mas só continuariam após a retirada das tropas.

Um outro fato chamou a atenção durante a reunião de pessoas da comunidade e o Exército. O líder comunitário Nelson Gomes, que ao ser perguntado por um militar se portava alguma arma, protestou tirando a roupa no Centro de Apoio Bélico do Comando Militar do Leste.

Oito militares ¿ seis soldados e dois sargentos - serão ouvidos pelo delegado, nesta terça-feira, no 1ª Batalhão de Polícia do Exército, localizado na Tijuca, zona norte. Eles iriam à unidade policial, mas prestarão depoimento no Exército por medida de segurança. Rodriguez espera esclarecer a participação de cada um dos 11 indiciados, que estão presos administrativamente.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

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