Exército mantém patrulha no Morro da Providência

RIO DE JANEIRO - O Exército permanece, na manhã desta quinta-feira, patrulhando o Morro da Providência, no centro do Rio. A Assessoria de Comunicação do Comando Militar do Leste (CML) informou que não havia sido notificada oficialmente sobre a decisão judicial que determinou, na quarta-feira, a retirada de tropas da favela.

Redação com Agência Estado |

O comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Mauro César Lorena Cid, convocou reunião com lideranças comunitárias para tentar evitar a paralisação das obras do projeto Cimento Social. No início da semana, 75 trabalhadores que moram no morro fizeram protesto em frente ao CML e prometeram paras os obras caso o Exército não se retirasse.

De acordo com a presidente da Associação dos Moradores do Morro da Providência, Vera Melo, a comunidade vai esperar, até o fim do dia, uma posição do Exército quanto à desocupação para então decidir se suspende ou não as obras como uma forma de pressionar a saída dos militares do local.

No início da noite desta quarta-feira, a juíza da 18ª Vara Federal, Regina Coeli de Medeiros de Carvalho Peixoto, decidiu pela retirada imediata das tropas do Exército do Morro da Providência , na área central do Rio de Janeiro. Pela decisão da Justiça, ela mantém o corpo técnico militar que atua nas obras do Projeto Cimento Social, mas decidiu que a proteção aos equipamentos e funcionários seja feita pela Força de Segurança Nacional (FSN).

AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em junho de 2004 pelo Ministério da Justiça, para atuar nos Estados em situações emergenciais. Ela é comandada pela Secretaria Nacional de Segurança e reúne os melhores policiais dos Estados e da Polícia Federal.

Os integrantes da tropa, porém, não deixam de atuar nas instituições de origem. Após um treinamento de duas semanas, os policiais retornam para trabalhar em seus Estados e permanecem em prontidão para uma possível convocação. Depois de encerradas as operações especiais, são dispensados e voltam aos seus Estados.

A Advocacia Geral da União (AGU) informou que tão logo seja acionada pelo Ministério da Defesa  vai recorrer da decisão da juíza . Até o momento, porém, o Ministério da Defesa não foi notificado da decisão da Justiça. 

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

(com informações da Agência Brasil)

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