Exército diz cumprir decisão judicial na Providência

RIO DE JANEIRO - O Exército divulgou nota afirmando que, diante de interpretações equivocadas, vem cumprindo integralmente a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio de Janeiro que restringiu a manutenção das tropas no Morro da Providência aos trechos onde se realizam as obras do projeto Cimento Social. A nota informa que o efetivo foi reduzido de 250 para 60 militares.

Redação com Agência Estado |

"A presença do Exército está restrita à região do canteiro de obras e às áreas absolutamente necessárias para a execução das atividades administrativas e o estabelecimento da segurança do pessoal, do material e equipamentos utilizados nas obras, bem como de sua fiscalização", diz a nota.

Acrescenta que "inserem-se aí aqueles militares um pouco mais afastados do núcleo das obras, cujas ações proporcionam a segurança, em grau mínimo e necessário, que a situação exige".

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

Força Nacional

A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em junho de 2004 pelo Ministério da Justiça, para atuar nos Estados em situações emergenciais. Ela é comandada pela Secretaria Nacional de Segurança e reúne os melhores policiais dos Estados e da Polícia Federal.

Os integrantes da tropa, porém, não deixam de atuar nas instituições de origem. Após um treinamento de duas semanas, os policiais retornam para trabalhar em seus Estados e permanecem em prontidão para uma possível convocação. Depois de encerradas as operações especiais, são dispensados e voltam aos seus Estados.

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