Exército começa a reduzir número de soldados no Rio

O desembargador Joaquim Antônio Castro Aguiar, presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo), decidiu ontem manter o Exército no Morro da Providência, mas a atuação da tropa deve ser, imediatamente, limitada ao trecho de 100 metros da rua onde ocorrem as obras do Projeto Cimento Social. A partir de hoje, o Comando do Exército pretende reduzir o número de militares no Morro da Providência.

Agência Estado |

A idéia é reduzir, inicialmente, em um quarto o efetivo do pessoal de cuida da segurança da área, passando dos 200 homens para 150. O Exército decidiu reduzir o número de abordagens às pessoas que circulam perto da obra, ainda que pareçam suspeitas.

Se houver exigência de que os militares saiam de áreas estratégicas - pontos altos, que dão visibilidade e proteção -, a decisão será retirar todos os soldados, deixando a obra inacabada.

Em seu despacho, Castro Aguiar diz ter sido procurado por inúmeras autoridades administrativas federais com poderes decisórios, que argumentavam sobre as dificuldades do cumprimento da decisão da juíza federal Regina Coelli Medeiros de Carvalho, da 18ª Vara Federal do Rio. Na quarta-feira, uma liminar concedida por ela determinava a imediata retirada do Exército do morro, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Castro Aguiar também rejeitou a determinação da juíza que transferia para a Força Nacional de Segurança Pública a responsabilidade pela proteção dos operários, militares e engenheiros que trabalham na obra. Ainda assim, o desembargador foi enfático ao estabelecer a atuação dos militares daqui para frente: Não poderá alinhar-se em situação de exercício de segurança pública, nem em situação de garantia da lei e da ordem.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

Força Nacional

A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em junho de 2004 pelo Ministério da Justiça, para atuar nos Estados em situações emergenciais. Ela é comandada pela Secretaria Nacional de Segurança e reúne os melhores policiais dos Estados e da Polícia Federal.

Os integrantes da tropa, porém, não deixam de atuar nas instituições de origem. Após um treinamento de duas semanas, os policiais retornam para trabalhar em seus Estados e permanecem em prontidão para uma possível convocação. Depois de encerradas as operações especiais, são dispensados e voltam aos seus Estados.

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