Executiva Nacional do PT ameaça vetar aliança em BH

Furiosa com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, por causa de uma carta distribuída por ele no domingo, contando aos militantes como chegou ao consenso com o governador de Minas, Aécio Neves, a Executiva Nacional do PT voltou a endurecer o jogo e ameaça vetar a parceria entre petistas e tucanos para a eleição na capital mineira. Em resolução aprovada hoje (15), a cúpula do PT afirma que o casamento entre os dois partidos em Belo Horizonte está em desacordo com as diretrizes da política de alianças definida pelo Diretório Nacional para a disputa de outubro.

Agência Estado |

Sem citar Pimentel, o documento lembra que o PT de Belo Horizonte chegou a mencionar a existência de um "consenso" com o PSDB para a construção da chapa à Prefeitura. O termo e a descrição feita por Pimentel na carta aos militantes, informando como procurou Aécio para "juntos" construírem a "proposta político-eleitoral" irritaram a cúpula petista, que decidiu esticar a corda.
Apesar do pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há duas semanas, para que Pimentel e o PT se entendessem, incorporando na chapa o PMDB do ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o PRB do vice-presidente, José Alencar, o impasse continua.
Para piorar a situação, o PSB não concordou em trocar o candidato, como queriam os dirigentes petistas. Pelo acordo fechado entre Pimentel e Aécio, o concorrente será do PSB, considerado um "partido neutro". O escolhido pela dupla é Márcio Lacerda, secretário de Desenvolvimento Econômico do governo mineiro. O problema é que o PT considera Lacerda um "laranja" de Aécio, pré-candidato à sucessão de Lula, em 2010. Lacerda também é afilhado político do deputado Ciro Gomes (PSB), outro postulante ao Planalto.
INTERVENÇÃO - O casamento com o PSDB para a eleição em Belo Horizonte recebeu a bênção do encontro municipal do PT, há três dias, mas, para ter validade, precisa passar pelo crivo da Executiva Nacional. Por enquanto, dirigentes do PT evitam falar em intervenção na capital mineira. Em tese, a hipótese é um recurso a ser analisado caso não haja acordo e impere a desobediência, mas, em conversas reservadas, petistas admitem que Lula não deixaria a situação chegar a esse ponto.
Na resolução aprovada hoje, o comando do PT convoca novo encontro entre integrantes dos diretórios municipal e estadual para o próximo dia 24, quando pretende pôr um ponto final na novela. "A melhor forma de desfazer o mal-entendido é mesmo uma nova reunião", afirmou Pimentel ao Estado. "Como se trata de uma tese inédita, não podemos esperar que seja tão rapidamente absorvida pelo PT."
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que é preciso trabalhar pelo entendimento. Admitiu, no entanto, que as coisas se complicaram. "É bom lembrar que não se trata de uma simples tese de aliança com o PSDB", ressalvou. "Não há qualquer possibilidade de acordo programático com os tucanos."

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