Ex-diretor é acusado de desviar comida de presídio

O ex-diretor do presídio de Cristalina (GO), o sargento da Polícia Militar Valter da Silva Santos, foi denunciado ontem pelo Ministério Público de Goiás por desviar a comida destinada aos presos, material de limpeza usado para manter as dependências e material de construção, que seria usado para reformar as celas. Preso em flagrante no último dia 8, Santos responderá ação penal por peculato e corrupção passiva.

Agência Estado |

Os desvios deixaram os 36 detentos do presídio de Cristalina, por semanas seguidas, alimentando-se somente de arroz. Algumas vezes, o cardápio incluía proteína de soja ou batatas, estas doadas pelos produtores da região. Os desvios, conforme a denúncia das promotoras Marizza Maggioli e Ariete Vale, ocorreram de 2008 a agosto de 2009. Para suprir a falta de mantimentos, os cozinheiros do presídio relataram ao Ministério Público que tinham de pedir feijão, açúcar, farinha de mandioca e óleo vegetal à dona de uma casa vizinha ao presídio.

Por ordem do MP e autorizados pela Justiça, policiais fizeram uma busca na casa do ex-diretor e no posto policial que usava como esconderijo dos suprimentos. Encontraram latas de óleo, pacotes de macarrão, sacos de café, açúcar e feijão - muitos com prazo de validade próximo ao vencimento, desinfetantes, detergentes, sabão em pó, panelas de alumínio, cestos de lixo, botas de borracha, rodos e resmas de papel desviado do presídio, de acordo com a denúncia das promotoras.

As investigações mostraram que Santos fretava caminhões para buscar diretamente em Goiânia os produtos destinados ao presídio. No meio do caminho, os suprimentos eram desviados para sua casa. Outra forma utilizada pelo ex-diretor do presídio para se apossar de comida e material de limpeza era abrir contas em mercados da cidade em nome do presídio.

O ex-diretor foi denunciado também por cobrar dinheiro dos presos para deixá-los trabalhar no presídio e assim reduzir o tempo da condenação ou para cumprirem pena em regime semiaberto. A denúncia aponta que Santos cobrava de R$ 1 mil a R$ 3 mil para conceder benefícios aos presos.

As promotoras investigam ainda denúncias de ameaças e tortura contra os presos de Cristalina. Seria uma forma, dizem os investigadores, de calar os detentos e evitar que os desvios fossem relatados ao Ministério Público pelos presos. Relatório parcial do caso revela que, no dia 11 de agosto, agentes penitenciários agrediram presos com cassetetes, spray de pimenta e balas de borracha numa operação de revista das celas. As acusações feitas pelos próprios detentos foram comprovadas por juízes auxiliares do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e farão parte do relatório final do mutirão feito em Goiás.

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