Ex-diretor do Senado usou 42 passagens da Câmara

O uso inadequado da cota de passagens aéreas da Câmara dos Deputados não permitiu viagens apenas de parlamentares ou de seus parentes. Pelo menos 42 bilhetes aéreos que faziam parte da cota dos deputados foram emitidos em favor do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi e para seus familiares, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco.

Agência Estado |

As passagens foram compradas por meio do crédito de 12 deputados, mas todos negam ter autorizado tal emissão e garantem que sequer conhecem o ex-diretor. O período em que ocorreram essas viagens foi de fevereiro de 2007 até novembro de 2008.

Um dos mais importantes integrantes da diretoria do Senado, Zoghbi já foi centro das atenções, no mês passado, quando decidiu pedir demissão de seu posto. Ele não resistiu à pressão para deixar o cargo após denúncia feita pelo jornal "Correio Braziliense", apontando que ele supostamente cedeu um imóvel funcional da Casa, a que teria direito, para que um filho o utilizasse. Zoghbi negou as acusações.

Agora, Zoghbi e outros seis parentes receberam os bilhetes da Câmara, sendo que dez das 42 passagens são internacionais. Segundo o levantamento, os bilhetes saíram das cotas que pertenciam originalmente aos deputados Raimundo Veloso (PMDB-BA), Enio Bacci (PDT-RS), Julião Amin (PDT-MA), Armando Abílio (PTB-PB), Cezar Silvestri (PPS-PR), Nazareno Fonteles (PT-PI), Valadares Filho (PSB-SE), Nilson Pinto (PSDB-PA), Aníbal Gomes (PMDB-CE), Francisco Tenório (PMN-AL), Zé Geraldo (PT-BA) e Ayrton Xerez (DEM-RJ).

Os trechos internacionais usados pelo ex-diretor e por seus parentes incluíram Paris e Madri. Ao todo, foram usados 18 voos da TAM, 14 da Gol e dez da Varig. Sem reconhecer o repasse dessas passagens, os parlamentares envolvidos com o problema decidiram pedir informações para a diretoria da Câmara, para saber como seus créditos de viagens foram usados para atender pessoas que não conhecem. O ex-diretor do Senado não se manifestou sobre o assunto.

Existe a suspeita de que passagens dos parlamentares acabaram sendo repassadas indevidamente para outras pessoas. A Câmara não descarta até que tenha havido boa fé desses usuários e culpa de alguma outra pessoa ou de alguma agência de viagem que teria aproveitado os bilhetes para revendê-los, sem ter esse direito. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, apareceu, por exemplo, ao lado da esposa como sendo usuários de passagens emitidas pelo gabinete do deputado Paulo Roberto (PTB-RS). Só que Mendes tem os comprovantes do pagamento de suas passagens. É essa triangulação de passagens que poderá ser analisada pela Câmara, que admite a possibilidade de o mesmo ter ocorrido com Zoghbi e seus parentes.

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