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Ex-deputado Hildebrando Pascoal é julgado no Acre pelo crime da motosserra

RIO BRANCO -Após 13 anos, o deputado cassado Hildebrando Pascoal é julgado nesta segunda-feira no Fórum Barão de Rio Branco, no Acre. Hildebrando é acusado de ter torturado e assassinado com uma motosserra o mecânico Agilson Firmino dos Santos, conhecido como Baiano, em 3 de julho de 1996.

Redação |

O julgamento teve início às 8h15, deve se estender até as 22h e, depois, ser retomado nesta terça-feira. Segundo o Tribunal de Justiça, Evanilda Lima de Oliveira, a esposa da vítima, depôs nesta manhã e teria confirmado a versão que apresentou à polícia. Ela afirmou que sofreu ameaças posteriores ao crime pedindo que não se manifestasse. Na tarde desta-segunda-feira, a filha da vítima também deu seu depoimento e confirmou o que havia dito à polícia.

Ao todo, 27 testemunhas foram convocadas para depor até esta terça-feira. Entre elas, não há nenhuma que tenha presenciado o crime. Do total, três avisaram que não iriam comparecer devido a problemas de saúde. Devido à ausência de um réu, outras também cancelaram a participação. Do total, 15 testemunhas depuseram.

Segundo o Tribunal de Justiça, o julgamento pode durar até quatro dias. A expectativa do MP é que a pena pelo crime atinja mais de 20 anos.

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Hildebrando durante julgamento nesta segunda-feira

Quatro jurados, conforme o Tribunal de Justiça, pediram para ser desligados do julgamento com medo de represálias.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Acre, Hildebrando teria matado "Baiano" com requintes de crueldade. Enquanto a vítima ainda estava viva, teve braços, pernas e genitália amputados com uma motosserra. O corpo também apresentava marcas de quatro tiros e perfurações na cabeça.

O filho adolescente de Agilson Santos, Wilder Firmino, com 13 anos à época, também foi assassinado e teve o corpo desfigurado com o uso de ácido.

O promotor Sammy Barbosa, coordenador do Grupo de Combate ao Crime Organizado no Acre, afirma que o Ministério Público denunciou Hildebrando por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, utilização de recursos que impossibilitaram a defesa da vítima e meio cruel. "Foi uma vingança fria e bárbara", afirma. 

Aém dele, também são submetidos a júri popular Alex Fernandes Barros e Adão Libório de Albuquerque. O irmão de Hildebrando Pedro Pascoal também seria julgado hoje. Porém, ele não compareceu e seu advogado entregou um atestado médico.

Dessa forma, o juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri, adiou o julgamento de Pascoal para a próxima segunda-feira, dia 28. Na ocasião, ele será julgado também pela morte de Wilder.

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Hildebrando durante julgamento nesta segunda-feira
Hildebrando durante julgamento nesta segunda-feira

O motivo

Segundo o promotor Barbosa, "Baiano" era mecânico e motorista de José Hugo, que, após um desentendimento, matou com um tiro o irmão de Hildebrando, Itamar Pascoal.

Ele conseguiu fugir após o assassinato e, conforme o promotor, o grupo de Hildebrando chegou a oferecer R$ 50 mil para quem o encontrasse.

O filho de "Baiano", Wilder Firmino foi sequestrado para atrair o pai e depois apareceu morto em uma estrada. "Baiano" foi caputurado e algemado para que revelasse onde estava o patrão, mas, como desconhecia o paradeiro de Hugo, foi brutalmente assassinado.

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Alex Barros, Adão Albuquerque e Hildebrando no banco dos réus

"Dono do Acre"

Hildebrando perdeu o mandato em setembro de 1999, após a CPI do Narcotráfico apontar ligações entre o então parlamentar e os grupos de extermínio na região. Ele está preso desde 1999 na Penitenciária Estadual de Segurança Máxima Antônio Amaro Alves, em Rio Branco.

Ele é acusado de comandar o grupo que agiu no Acre entre 1995 e 1999, além de participar de crimes de tráfico de drogas, roubos de cargas e corrupção eleitoral. "Na época, Hildebrando mandava e desmandava no Acre", afirma Barbosa.

Ele já foi condenado por diversos crimes, entre eles o assassinato do soldado do Corpo de Bombeiros Sebastião Crispim. As penas somadas ultrapassam 80 anos.

Segundo o promotor, o grupo de extermínio comandado por ele tinha como característica cortar partes dos corpos dos desafetos, para dificultar a identificação. "Era uma forma também de passar o recado para a polícia que aqueles crimes não deveriam ser investigados porque eram de Hildebrando", afirma.

Ainda hoje, revela o promotor, a sociedade tem muito medo do grupo, já que muitos dos integrantes já saíram - ou vão sair em breve - da cadeia por terem cumprido parte da pena. "Nós só conseguimos debelar os pistoleiros mais atuantes e perigosos. Há gente solta", admite.

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