Ex-deputado é interrogado por atropelamento em Curitiba

Carli Filho é responsabilizado por grave acidente de trânsito que matou duas pessoas. Juiz pode decidir se ele vai a júri popular

iG São Paulo |

O ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, de 26 anos, presta depoimento desde às 14h10, na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba. Ele é responsabilizado pelo grave acidente de trânsito, que resultou na morte de Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, há um ano e três meses.

Na audiência, o juiz pode decidir se o réu vai ou não a júri popular. Esta será a primeira vez que Carli Filho vai comparecer diante de um juiz desde que o processo contra ele começou a tramitar. A primeira audiência para decidir se Carli Filho iria a júri popular foi realizada no último dia 5 de fevereiro sem a presença do ex-parlamentar. Não houve definição sobre o caso.

Como ainda há testemunhas de defesa que não foram ouvidas, o juiz pode não se pronunciar sobre sua decisão nesta terça-feira

No ano passado, ele foi indiciado por duplo homicídio com dolo eventual (quando o agente assume o risco de produzir o resultado). Exames do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística comprovaram que, no momento do acidente, o ex-parlamentar estava embriagado e dirigia em alta velocidade, entre 161 e 173 km/h.

O caso

AE
Familiares de jovens mortos em acidente protestam em Curitiba
Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, o Volkswagen Passat que o ex-deputado dirigia chocou-se contra o Honda Fit onde estavam Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, na rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi, no bairro de Mossunguê, em Curitiba. O veículo ficou completamente destruído e os dois jovens morreram na hora.

O deputado sofreu múltiplas fraturas, inclusive na face. Ele ficou um mês internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para se recuperar das lesões.

O laudo do IML, realizado duas horas após o acidente, apontou que o Carli Filho estava com 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue, quando o tolerado pela legislação brasileira é de 2 decigramas.

Um recibo fornecido à polícia pelo restaurante onde o parlamentar estava na noite da colisão mostra três tipos de vinho na conta dele, que ficou em R$ 705.

Além disso, ele também não poderia dirigir porque estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por excesso de multas. Para a polícia, Carli Filho assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado. Ao que tudo indica houve dolo eventual, disse o delegado de Delitos de Trânsito de Curitiba, Armando Braga, durante a reconstituição do acidente.

Laudos do Instituto de Criminalística apontaram que o carro conduzido por Carli Filho estava em uma velocidade entre 161 km/h e 173 km/h, sendo que no local onde houve a colisão a velocidade máxima permitida e de 60 km/h.

A defesa do deputado, porém, se mostrou confiante e disse que os depoimentos não trouxeram nenhuma novidade aos autos. Segundo o advogado Brzezinski Neto, já ocorreram algumas vitórias, como a desconsideração, pelo juiz, do laudo de dosagem alcoólica. "A prova é ilícita porque foi colhida e obtida na clandestinidade", afirmou ele, que preferiu não comentar a possibilidade de o caso ir para júri popular. "O caso está no começo, tem várias peculiaridades e, no final, a tese principal da defesa será abordada", disse.

*Com informações da Agência Estado

    Leia tudo sobre: acidentemortecarli filho

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG