O ex-deputado estadual do Paraná Luiz Fernando Ribas Carli Filho, de 26 anos, não compareceu à primeira audiência de instrução e julgamento do processo no qual é denunciado por duplo homicídio com dolo eventual, realizada nesta quinta-feira em uma das salas do Tribunal do Júri de Curitiba.

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Carli Filho pode ir a júri
A partir dessa audiência, o juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar decidirá se o caso segue para júri popular ou se a sentença será proferida apenas por um juiz.

Em 7 de maio do ano passado, Carli Filho dirigia um Passat que se chocou contra um Fit, conduzido por Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e que tinha como passageiro Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos. Os dois jovens que estavam no Fit morreram.

Havia uma expectativa pela primeira aparição do ex-deputado após o acidente, mas, de acordo com seu advogado, Roberto Brzezinski Neto, o juiz aceitou a alegação de que não haveria necessidade de acompanhar os depoimentos. "Primeiro, porque não vai ser interrogado e, segundo, porque não tem necessidade de nenhum reconhecimento pessoal", disse. "Ele deve ser ouvido no momento oportuno, que, pela nova legislação processual penal, é quando todas as testemunhas de acusação e defesa forem inquiridas."

A acusação tenta provar que Carli Filho agiu com dolo eventual (assumiu o risco de provocar o acidente), ao ingerir bebida alcoólica antes de dirigir o veículo e trafegar com velocidade superior à permitida no local, o que levaria à convocação do tribunal do júri. Além disso, o ex-deputado estava com a carteira de habilitação suspensa, em razão de 130 pontos de infração.

Foram ouvidas hoje 16 testemunhas de acusação. Os depoimentos continuam nesta sexta-feira. "Estão se confirmando judicialmente as provas que já tinham no inquérito policial, com uma ou outra palavra um pouco diferente", afirmou o advogado de acusação, Elias Mattar Assad. "Significa que a ida deste caso para o tribunal do júri é inexorável."

O advogado de defesa ressaltou que os depoimentos não trouxeram nenhuma novidade aos autos. Segundo Brzezinski Neto, a defesa já teve algumas vitórias, como a desconsideração, pelo juiz, do laudo de dosagem alcoólica, que apontou 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue, quando o tolerado pela legislação é 2 decigramas.

"A prova é ilícita porque foi colhida e obtida na clandestinidade", afirmou. Ele preferiu não comentar a possibilidade de o caso ir para júri popular. "O caso está no começo, tem várias peculiaridades e, no final, a tese principal da defesa será abordada", disse.

Familiares e amigos

Familiares e amigos dos dois jovens mortos estiveram no prédio do Tribunal do Júri, onde a audiência foi realizada sem a presença da imprensa e com apenas um familiar de cada um podendo acompanhar. "Queremos só justiça, que vá a júri e acabe o sofrimento", pediu Vera Almeida, mãe de Murilo. "Essa luta é por justiça, é para os vivos, é para todos nós que dependemos do trânsito", referendou Christiane Yared, mãe de Gilmar.

Laudos do Instituto de Criminalística apontaram que o carro conduzido por Carli Filho estava em uma velocidade entre 161 km/h e 173 km/h. No local onde houve a colisão, é permitida velocidade máxima de 60 km/h. O então deputado renunciou ao cargo quando a Assembleia Legislativa se preparava para instaurar processo no conselho de ética, que poderia resultar na cassação. Após se recuperar dos ferimentos, ele passou a residir em Guarapuava, na região centro-sul do Paraná, onde o pai é prefeito.

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