Ex-chefe da equipe de transplantes da UFRJ é preso pela Polícia Federal no Rio

RIO DE JANEIRO - O ex-chefe da equipe de transplantes hepáticos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Joaquim Ribeiro Filho, foi preso preventivamente nesta quarta-feira durante a Operação Fura-Fila, da Polícia Federal. Ele é suspeito de vender vagas na fila de transplantes de órgãos do hospital, na Ilha do Fundão, zona Norte do Rio.

Redação com Agência Estado |

Wilton Junior/AE
Ribeiro Filho vendia vagas na fila de transplante
A PF cumpriu também nove mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal em clínicas e consultórios na zona Sul e no Centro da cidade que estão envolvidos no caso. A operação é resultado de uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça contra cinco médicos do hospital, acusados de desvio de órgãos entre 2003 e 2007, preterindo a lista nacional de transplantes de fígado.

A investigação começou em 2003, quando Jaime Ariston, irmão do secretário estadual de transportes, Augusto Ariston, recebeu um fígado mesmo ocupando o 32º lugar na fila única. Dois dias antes, Joaquim Ribeiro Filho havia sido nomeado coordenador do RioTransplante, contra a vontade do órgão, pelo secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino.

Crimes

Joaquim Ribeiro Filho e os médicos Eduardo de Souza Martins Fernandes, Giuliano Ancelmo Bento, João Ricardo Ribas e Samanta Teixeira Basto vão responder por peculato (crime de desvio de recursos ou bens por servidor). Segundo a PF, além da furada de fila, o grupo também tinha condutas ilícitas, como tráfico de influência e estelionato, causando, inclusive, prejuízo ao tesouro público. De acordo com a polícia, alguns pacientes eram assistidos na rede pública, custeados pelo SUS, e, posteriormente, eram transplantados em clínicas particulares.

O procurador da República Marcelo Miller, que fez a denúncia, considerou a prisão preventiva de Ribeiro Filho necessária à ordem pública e ao curso do processo, pois ele supostamente estaria usando sua influência sobre a equipe de transplantes hepáticos do hospital universitário para dificultar a apuração dos fatos.

O MPF conseguiu na Justiça que os outros denunciados fossem temporariamente proibidos de fazer transplantes hepáticos. Em relação aos réus Bento, Ribas e Basto, foi ainda requerida a designação antecipada da audiência judicial, pois nesses casos é possível a suspensão condicional do processo.

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