Ex-assessor de reitor da UnB depõe em CPI e oposição tenta quebra de sigilo

BRASÍLIA - A CPI das ONGs no Senado tenta nesta quarta-feira mais uma cartada para avançar nas investigações contra desvios de verbas públicas na Universidade de Brasília (UnB): no depoimento de Alexandre Lima, ex-diretor da Editora UnB e ex-braço direito do reitor afastado Timothy Mulholland, os senadores tentam arrancar dados sobre fraudes como a compra de canetas MontBlanc por R$ 9 mil com recursos federais destinados à saúde indígena. A oposição quer a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lima, que já responde a ação por improbidade administrativa.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

Alexandre Lima tem uma folha de serviços à antiga cúpula da UnB tão extensa e suspeita que foram os próprios colegas quem denunciaram algumas das prováveis irregularidades sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal (MPDF).

Os casos mais famosos foram a compra de nove canetas de luxo MontBlanc por R$ 9 mil, em dezembro, e jantares suntuosos com dinheiro de um convênio de atendimento à saúde de povos indígenas entre a UnB e a Funasa, órgão do Ministério da Saúde. Lima era o coordenador do projeto.

Além dos senadores de oposição na CPI das ONGs, quem espera ansiosamente por novos fatos como a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-diretor da Editora UnB é o MPDF. Segundo o promotor que investiga a instituição, Ricardo Antônio de Souza, a principal dificuldade nas apurações é justamente a recusa dos gestores das fundações da UnB de abrirem suas contas.

Alexandre Lima era gestor-coordenador dos contratos que UnB captava junto a órgãos públicos e repassava para fundações de apoio. Por exemplo, na atenção à saúde indígena dos povos xavante e ianomâmi, o coordenador do projeto era Alexandre Lima, então era responsável direto pelos desvios de recursos públicos nesses contratos, afirmou Souza, acrescentando que índios dessas nações morreram na mesma época do convênio por mau atendimento à saúde.

Ele [Lima] já responde ação por improbidade administrativa que aponta um enriquecimento fora da normalidade. Agora, no bojo dessa ação [investigações do MPDF], estão sendo encontradas outras irregularidades que certamente vão resultar em ações, observou o promotor.

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