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BRASÍLIA - O ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), Francisco Ambrósio, suspeito de ter participado do grampo contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, disse nesta quarta-feira, na CPI das Escutas Telefônicas, ter participado de missões no Congresso Nacional na época da emenda das Diretas Já, nos anos 80.

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De acordo com ele, seu trabalho era monitorar as atividades do Congresso, o pensamento dos parlamentares sobre a emenda ¿ que acabou sendo rejeitada ¿ e sobre a possibilidade de abertura política. Com o fim da ditadura, Ambrósio disse que não fez mais nenhum tipo de serviço no Congresso.

No depoimento dado nesta quarta, o ex-agente do SNI negou qualquer participação em grampos telefônicos. Disse que sequer possui conhecimento técnico para tal e que seu trabalho na operação Satiagraha era de catalogar e-mails antigos e separá-los por assunto.

Disse também que seu depoimento à Polícia Federal, no sábado anterior à publicação da revista IstoÉ, que o acusou de ter sido o responsável pelo grampo contra Mendes, não foi combinado com agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Antonio Cruz/ABr
Ex-agente presta depoimento
Segundo ele, numa reunião com o ex-diretor adjunto afastado da Abin, Milton Campana, o ex-diretor da agência, Renato Porciúncula e o diretor afastado de contra-inteligência, Paulo Maurício Fortunato Pinto, ele foi orientado somente a depor, e não recebeu nenhum tipo de informação sobre como depor.

Durante seu depoimento à CPI, Ambrósio colocou a disposição dos parlamentares seu sigilo bancário e fiscal. Ele alega que, desde sua aposentadoria em 1998 não prestou nenhum serviço, a não ser para a Satiagraha no início deste ano.

Sobre o trabalho, Ambrósio alegou ter sido contratado por indicação de um conhecido da aeronáutica, no caso o sargento Idalberto Mathias. "Eu falei que estava precisando complementar a renda e ele me indicou", disse, negando ter sido contratado por obter conhecimentos técnicos na área de grampo.

Com o fim do depoimento de Ambrósio, a CPI entrou em recesso e voltará no período da tarde com a oitiva do sargento Idalberto Mathias.

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