Evitar ameaças da rua é a melhor proteção para os aeroportos

Consultor de segurança da Casa Branca afirma que é necessário haver mais rigidez na segurança dentro dos aeroportos brasileiros

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Divulgação
Edward D. Clark, consultor de segurança da Casa Branca
Ao chegar dos Estados Unidos e desembarcar no aeroporto de Guarulhos na manhã da última segunda-feira (25), Edward D. Clark, consultor de segurança da Casa Branca, não entendeu como funciona a segurança em um aeroporto brasileiro. “Pediram meu passaporte e um documento que provasse o motivo de eu estar aqui, mas ninguém conferiu se eu era de fato quem dizia ser ou se era procurado por algum ato ilícito.” A impressão que ficou foi a da fragilidade da segurança brasileira nessa área, uma preocupação para o País que será sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. 

O investimento da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em 13 aeroportos brasileiros, até a Copa, será de R$ 5,6 bilhões, segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no último dia 14. Mesmo assim, foi concluído que existe a possibilidade de dez desses aeroportos não estarem finalizados para o evento e operarem acima de sua capacidade . Mas é preciso mais do que atender a demanda prevista para a Copa. É preciso proporcionar segurança às pessoas. 

Clark está no Brasil participando da 6ª Feira e Conferência Internacional de Segurança, realizada até quinta-feira, em São Paulo, e diz que em nenhum momento foi revistado e que quando foi buscar sua bagagem não sabia se as malas tinham passado por alguma máquina que mostrasse o que ele carregava. “Já vi pessoas sendo revistadas, mas apenas no caso de um alarme disparar ou de a segurança desconfiar [da pessoa]”. Nos aeroportos dos Estados Unidos, cães farejadores andam ao redor da pessoa e das bagagens. 

Para o consultor, o principal desafio da segurança em um aeroporto é detectar e evitar as ameaças que chegam da rua. “Eu posso sair em São Paulo e comprar drogas e depois voltar para os Estados Unidos, por isso é importante haver uma revista severa [em quem vai embarcar]”. Mas Edward ressalta que isso não significa ter o mesmo esquema de segurança dos Estados Unidos, “um país com constantes ameaças terroristas, mas deve ser uma preocupação, principalmente tendo em vista os eventos globais que serão realizados no Brasil.”

Com a realização desses eventos, é necessário, segundo Clark, pensar em proteger não apenas o aeroporto e a população brasileira, mas também os visitantes internacionais que podem sofrer diversas ameaças, o que não implica em detectar cada possível ameaça para poder combatê-la. “Ao proteger os atletas americanos de um possível ataque terrorista, por exemplo, você também está protegendo os outros visitantes. Ao se proteger de um tipo de ameaça, você se protege de várias outras”, argumenta. 

E para essa proteção é essencial que haja uma revista mais eficaz. “Se além da identidade, uma pessoa precisar colocar um número de segurança e deixar sua impressão digital, a segurança aumenta", conclui.

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