EUA recordam Charlton Heston em meio à admiração e controvérsias

WASHINGTON - Os Estados Unidos lembraram neste domingo o ator Charlton Heston, que imortalizou personagens heróicos em uma época na qual este país precisava deles e que se tornou um paradigma para a direita no final de sua vida.

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Ator em foto de
divulgação do filme Ben Hur
Heston, que morreu na noite de sábado na Califórnia aos 84 anos, é a imagem eterna de personagens como Moisés, Michelangelo e El Cid em filmes que reafirmaram a vitória do bem sobre o mal.

Seus papéis eram mensagens de calma para os americanos nos anos 50 e 60, quando as pessoas construíam bunkers improvisados em seus porões para se prepararem para um possível ataque nuclear da então União Soviética.

O candidato republicano à Presidência, John McCain, lembrou hoje de Heston na faceta de herói em filmes como "Os Dez Mandamentos", "Ben Hur" e "Antônio e Cleópatra".

"Ao aceitar papéis épicos e de comando mostrou ser um dos atores mais talentosos dos EUA e seu legado será parte de nosso cinema para sempre", declarou McCain através de um comunicado.

A família de Heston afirmou que o ator, que morreu em sua casa ao lado de sua mulher, "se empenhou com paixão em todos os seus papéis".

"Ninguém poderia ter pedido uma vida mais completa do que a sua, nem ter dado mais à sua família, à sua profissão e a seu país", afirmou a família, que não divulgou a causa da morte.

Heston poderia ter tido uma aposentadoria discreta, mas, como seu contemporâneo Ronald Reagan - também ator -, se interessava pela política.

Ele foi diretor do Screen Actors Guild, o principal sindicato de atores e do Instituto Cinematográfico Americano. Além disso, apoiou o movimento em favor dos direitos civis para os negros nos anos 50.

Assim como Reagan, os anos fizeram com que Heston se envolvesse cada vez mais com a direita.

O ator foi presidente, entre 1998 e 2003, da Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês), o poderoso lobby que rejeita qualquer controle sobre a posse de armas nos EUA.

Heston chegou a dizer que seus oponentes teriam que tirar a espingarda de suas "mãos frias e mortas".

Uma de suas últimas aparições em um filme de sucesso - contra sua vontade - foi em "Tiros em Columbine", documentário no qual o diretor Michael Moore persegue Heston para pedir explicações pelas vidas perdidas no país pelo crime graças às posições da NRA.

Por outro lado, para os americanos de direita Heston era um ponto de referência. O ator fez campanha por candidatos republicanos e se opôs às cotas para a entrada em universidades e outros benefícios em favor dos negros e das minorias, medidas defendidas pelos democratas.

Por isto McCain, que quer mobilizar a base conservadora para as eleições de novembro, chamou Heston de "um líder na vida real".

"Trabalhou por este país e deu sua voz com orgulho em apoio a alguns de nossos direitos mais básicos", declarou o senador republicano.

Wayne LaPierre, diretor da NRA, afirmou hoje em comunicado que, com a morte de Heston, "os EUA perderam um grande patriota".

"A Segunda Emenda perdeu um amigo fiel. Eu e quatro milhões de membros da NRA, assim como os 80 milhões de americanos que possuem armas e todos que se importam com a Constituição e com a liberdade, também perdemos", declarou LaPierre.

A Segunda Emenda da Constituição americana garante o direito dos cidadãos à posse de armas, algo que para Heston era fundamental.

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