Jefferson Carpinteiro Péres, que morreu hoje de enfarte em Manaus, aos 76 anos, cumpria seu segundo mandato como senador, pelo PDT-AM. Ele nasceu em Manaus em 1932 e era formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, e em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas.

Foi professor de economia na Universidade Federal do Amazonas e ingressou na vida parlamentar em 1988, quando foi eleito vereador. Reeleito nas eleições municipais em 1992, ele chegou ao Senado em 1995. Durante toda a vida pública, encontrou na defesa da ética uma de suas principais bandeiras.

"A crise ética não é só da classe política não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira", disse em discurso no plenário do Senado no dia 30 de agosto de 2006, o senador e líder da bancada do PDT. E complementou: "O que está faltando mesmo ao Brasil e sempre faltou é uma elite dirigente com compromisso com a coisa pública, capaz de fazer neste País o que precisaria ser feito: investimento em capital humano."

No mesmo discurso, anunciou que abandonaria a vida política com o fim do mandato, que acabaria em 2011. "Vou continuar protestando sempre, cumprindo o meu dever. Isso não seria justificativa para dizer que não vou fazer mais nada. Vou cumprir rigorosamente o meu dever neste Senado até o último dia de mandato, mas para cá não quero mais voltar, não", afirmou, declarando estar decepcionado com a política brasileira.

No Senado, também se destacou por seu trabalho em defesa da agilização da Justiça e da reestruturação da Zona Franca de Manaus. Entre os focos de sua atuação no Congresso também estavam a modernização econômica e a moralização das finanças públicas. No Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Péres foi o relator do processo que levou à cassação do ex-senador Luiz Estevão e também foi relator da Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2006, foi candidato a vice-presidente, na chapa de Cristovam Buarque.

No início do mês, Péres defendeu o afastamento do deputado Paulinho da Força, de seu partido, até que o parlamentar se explicasse sobre as acusações de envolvimento em irregularidades de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na quarta-feira, Péres comentou no Senado o debate sobre a internacionalização da Amazônia, tese defendida em reportagem do jornal The New York Times. "Normalmente, não reajo a esse tipo de declaração, mas insisto em que não se pode levar a sério a tese da internacionalização da Amazônia. Isso não vai acontecer. Não tenho tanto medo da cobiça internacional sobre a Amazônia. Tenho medo da cobiça nacional", afirmou. Péres era casado com Marlidice, juíza aposentada, e deixa três filhos: Ronald, Romulo e Roger.

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