ETH foca na finalização de novas usinas de olho em aquisições

Por Roberto Samora NOVA ALVORADA DO SUL, Mato Grosso do Sul, 12 de março (Reuters) - Quem visita um dos canteiros de obras em estágio avançado de uma das três megausinas da ETH Bioenergia em construção não imagina que a companhia, integrante do conglomerado Odebrecht, poderia estar avaliando aquisições.

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Mas essa avaliação se dá em um momento de crise econômica e é feita por quem tem planos ambiciosos no setor sucroalcooleiro como a ETH, o que explica muita coisa.

Tendo como objetivo se tornar uma das maiores do setor, a companhia poderia se expandir engolindo empresas em dificuldades financeiras a custos mais vantajosos em relação a novos investimentos em "greenfields".

"Hoje é mais vantagem comprar do que fazer (uma usina nova)", declarou Antonio Carlos de Carvalho, gerente administrativo-financeiro da unidade Santa Luzia 1 em Mato Grosso do Sul, ainda em obras, cujos investimentos já estão todos feitos para a instalação da capacidade para moagem de cerca de 2,8 milhões de toneladas por ano, na chamada fase 1 do projeto.

"Já temos os equipamentos... Ano que vem não se coloca um parafuso novo na unidade", acrescentou o superintendende da Santa Luzia 1, Max Bruno, durante entrevista concedida à Reuters em seu escritório.

No ano-safra 2009/10, a unidade Santa Luzia 1, em Nova Alvorada do Sul (MS), já processará 800 mil toneladas, em comissionamento (testes), a partir do segundo semestre, e em 2010/11 poderá ampliar a moagem a 2,8 milhões de toneladas.

No local da usina, além das estruturas para abrigar as moendas, construídas já prevendo a segunda fase da operação da Santa Luzia 1, destacam-se no cenário das obras imensas dornas de fermentação e partes dos tanques de armazenamento de álcool já instalados, com mais de 40 metros de diâmetro, além do grande número de trabalhadores. Incluindo os terceirizados, são cerca de 1.300, ou aproximadamente 8 por cento da população da pequena Nova Alvorada do Sul, a cerca de 100 km da capital do Estado, Campo Grande.

A plena carga, tendo sida concluída a segunda fase, a Santa Luzia 1 poderá processar até 5,5 milhões de toneladas, mesmo volume previsto para o pico de produção da "usina gêmea" da ETH sendo construída em Caçu (Goiás), que também começará operações em 09/10 e dá uma dimensão dos planos do braço de açúcar e álcool da Odebrecht, grupo com ampla atuação na construção civil, química e petroquímica.

"O nosso objetivo é estar entre os três maiores do setor até 2015... Agora, pode ser por meio de usinas novas ou de brownfields. Faremos o que for necessário", acrescentou Bruno.

MODERNIDADE

Além da Santa Luzia e da Rio Claro, em Caçu, a ETH também está tocando as obras da Unidade Conquista do Pontal (UCP), no extremo oeste paulista, tendo projetado tais plantas em regiões relativamente próximas umas das outras com o objetivo de formar polos produtivos em áreas com menor tradição sucroalcooleira, o que em tese facilitaria o crescimento.

A ETH, que também conta com duas usinas adquiridas logo depois da criação da empresa, em 2007 --a Alcídia, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, e a Eldorado, em Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul--, tem plano de dobrar a sua capacidade de 09/10 para 10/11, atingindo a moagem de 7 milhões de toneladas de cana.

Até 2015, o grupo prevê contar com dez usinas, moendo aproximadamente 40 milhões de toneladas de cana, um patamar hoje registrado pelos maiores grupos sucroalcooleiros do Brasil, como a Cosan.

O objetivo da ETH, com um mix de produção voltado para o etanol (em torno de 70 por cento) será produzir 3 bilhões de litros do biocombustível, 2 milhões de toneladas de açúcar e gerando 1.300 MW de energia.

As oportunidades para a expansão surgidas com a crise, no entanto, só serão concretizadas se a ETH puder manter o plano original de trabalhar com polos de produção e com as tecnologias e aparelhos mais modernos existentes, algo que a empresa considera um diferencial competitivo, principalmente em termos de logística e de aproveitamento de equipes e equipamentos.

"Tem uma sinergia grande entre os polos... Você pode compartilhar peças de reposição, em vez de ter uma para cada unidade", declarou o superintendente da Santa Luzia 1.

A ETH, que conta com uma participação minoritária da trading japonesa Sojitz, também só prevê o corte da cana e o plantio 100 por cento mecanizados, um diferencial sócio-ambiental, mas que tem exigido intenso treinamento --350 pessoas foram capacitadas no ano passado na cidade de Nova Alvorada do Sul.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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