Estudos mostram os males do trânsito intenso para a saúde

A palavra má brilha em vermelho nas placas luminosas que indicam a qualidade do ar em São Paulo: esse painel da Cetesb é o verdadeiro sinal de alerta no trânsito paulistano. O efeito terapêutico dos ares mais puros não é mera constatação de um paulistano aborrecido.

Agência Estado |

No banco de dados do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) há diversos estudos que comprovam o impacto dos poluente sobre as vias respiratórias.

"Os mecanismos de defesa do epitélio respiratório são afetados pelos agentes químicos, deixando a região mais suscetível a inflamações e infecções. Mais de 90% dessa poluição é gerada pelo trânsito", detalha um dos pesquisadores da instituição, o médico epidemiologista do Luiz Alberto Amador Pereira.

No caso do monóxido de carbono, por exemplo, a Cetesb estima que 95% do volume circulante venha dos escapamentos dos veículos. "A obrigatoriedade do uso de catalisadores nos anos 90 foi uma ação importante para reduzir a poluição, mas creio que o aumento descontrolado da frota já exerça um efeito compensatório. Ainda que os veículos mais novos poluam menos, eles circulam em número infinitamente maior. Isso congestiona o trânsito, levando o motorista a tempos muito mais prolongados de exposição aos poluentes", diz Pereira.

Nos últimos nove meses o tráfego ficou ainda mais lento na capital paulista. Segundo a pesquisa Ibope/Movimento Nossa São Paulo, o tempo médio que o paulistano gastava para se deslocar entre a residência e o trabalho passou de uma hora e quarenta minutos em janeiro para duas horas em setembro. Locomover-se por meio de transporte particular nem sempre é uma opção pelo conforto.

Enfarte

Na opinião do angiologista Nelson Hossne, cirurgião cardiovascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), momentos de estresse, como aqueles vivenciados durante os engarrafamentos, podem levar até a enfartes. Segundo ele, passar muitas horas sentado em uma mesma posição também predispõe a um perigoso acúmulo de sangue nas veias das pernas.

"O sangue acumulado pode levar à trombose venosa profunda em pessoas com predisposição para a doença, sobretudo no caso de mulheres que usam anticoncepcional ou fumam. Quanto maior for o tempo sem movimentar-se, maior será o risco de trombose. Esses trombos de sangue podem se deslocar até o pulmão, desencadeando embolia pulmonar e até morte", explica Hossne.

Giuliana Reginatto

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