Estudo revela genoma da esquistossomose

Pesquisadores de vários países concluíram o sequenciamento do genoma de dois vermes que parasitam 210 milhões de pessoas: o Schistosoma mansoni e o S. japonicum, causadores da esquistossomose.

Agência Estado |

Os trabalhos - publicados na revista científica "Nature" - auxiliarão a descoberta de novas terapias, exames e vacinas. O "Schistosoma mansoni" - espécie presente na América Latina e na África - possui 363 milhões de letras químicas de DNA decifradas agora pelos cientistas, uma sequência dez vezes maior que a do protozoário causador da malária.

O DNA do verme codifica quase 12 mil genes, menos da metade dos 30 mil genes presentes nas células humanas, que utilizam 3 bilhões de letras químicas de DNA. O sequenciamento poderá ajudar de várias formas a descoberta do ponto fraco do "Schistosoma". Alguns pesquisadores, por exemplo, compararam o genoma do verme ao genoma humano, à procura de semelhanças. Depois, buscaram medicamentos que atuam nos processos celulares coordenados por genes parecidos nos dois organismos. Chegaram assim a 66 remédios que poderão ser testados contra a esquistossomose.

Normalmente, os cientistas seguem o caminho inverso: procuram as diferenças entre os dois genomas para encontrar processos celulares presentes no parasita e ausentes no hospedeiro. Tais processos particulares servem como alvo de novos medicamentos, diminuindo o risco de efeitos adversos. Mas como a esquistossomose recebe poucos recursos para pesquisa, os cientistas preferiram uma abordagem pragmática. “Seria difícil uma indústria investir na procura de novos princípios ativos”, aponta o coautor do estudo, Guilherme Oliveira, do Centro de Pesquisas René Rachou (CPQRR-Fiocruz).

O centro disponibilizou todas as informações do genoma no site www.schistodb.net. O químico Ricardo De Marco, da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), também assina o estudo e recorda que as informações também serão úteis para compreender a evolução do parasita. A doença, presente em 76 países pobres, afeta populações que vivem perto de cursos d’água com caramujos infectados pelo verme. No ano passado, houve 10.495 casos confirmados no Brasil - cerca de 2 mil em Minas, Estado com a maior incidência. Em 2007, 418 pessoas morreram vítimas da doença. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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