Estudo revela avanços nas técnicas de congelamento de óvulos

A técnica de congelamento - ou vitrificação, usada há décadas para conservar sêmen e embriões, começa a apresentar resultados positivos com óculos, que registravam certa resistência. Estudo recente da Universidade McGill de Montreal, Canadá, publicado na revista Reproductive Biomedicine , constatou que o índice de defeitos de nascença entre crianças geradas a partir de óvulos vitrificados, de 2,5%, é comparável ao que se registra em nascimentos naturais.

Agência Estado |

De acordo com estudos internacionais, estima-se que haja cerca de 400 bebês nascidos de óvulos congelados no mundo. Clínicas de reprodução assistida da capital paulista já empregam o método. Trata-se de uma revolução para as mulheres. Em primeiro lugar, é uma saída para aquelas que, por algum motivo, precisam retirar o ovário ou ser submetidas a quimioterapia ou radioterapia - tratamentos que podem afetar a capacidade reprodutiva.

O procedimento ajuda também as mulheres que querem adiar a gravidez - situação cada vez mais comum. Recomenda-se coletar os óvulos até uma média de 35 anos, pois, a partir dessa idade, a produção cai drasticamente, assim como a qualidade dos óvulos. "O ideal é colher o óvulo até os 30 anos, com o limite de 35 anos", aconselha o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), Dirceu Mendes Pereira, especialista em medicina reprodutiva. Há quem estipule o limite em 39 anos, mas, quando possível, o melhor mesmo é coletar os óvulos o quanto antes. O auge da vida reprodutiva é realmente até os 30 anos.

O custo médio da vitrificação dos óvulos é semelhante ao da fertilização in vitro. Segundo Dirceu, varia de R$ 12 mil a R$ 20 mil. A taxa para a manutenção dos óvulos vitrificados gira em torno de R$ 500,00 a R$ 1.000,00, e os pagamentos são periódicos, segundo critérios de cada clínica. "É como se fosse um seguro da fertilidade", brinca o presidente da SBRH.

Tratamentos

O setor de Reprodução Humana do Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realiza tratamentos para infertilidade com custos reduzidos: os pacientes pagam apenas pelos medicamentos - que não são nada baratos. Há dois anos, começaram a aplicar a técnica de vitrificação de óvulos. O coordenador do setor e especialista em reprodução humana, Renato Fraietta, explica que as principais beneficiadas são as pacientes de câncer, que têm prioridade no atendimento e ficam isentas da taxa de manutenção do congelamento. "A quimioterapia pode alterar os ciclos reprodutivos para sempre, mesmo em mulheres jovens que se curam", explica o médico. "Congelando os óvulos, a mulher garante seu potencial fértil e sua independência."

Fabiana Caso

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