Estudo mostra que só 38% dos adultos fazem exercícios regularmente

Manter uma alimentação balanceada e praticar exercícios. A fórmula da vida saudável, repetida à exaustão por especialistas e pela mídia, tornou-se uma espécie de mantra de assimilação fácil.

Agência Estado |

Falta, porém, pôr em prática os conceitos aprendidos. É o que atesta um estudo aplicado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) a 4.223 brasileiros. De acordo com a pesquisa, só 38% dos adultos praticam atividades físicas com regularidade - o índice chega a 48% para os homens, caindo para 31% entre as mulheres.

No universo dos praticantes de exercício, o estudo destaca um grupo diferente do típico marombeiro de academia. Segundo a SBCBM, a classe mais ativa corresponde às pessoas com sobrepeso, que representam 42% do total de adeptos da atividade física.

O médico Luiz Vicente Berti, presidente da SBCBM, recomenda cautela para analisar a pesquisa. "Ainda que o grupo com sobrepeso pareça o mais ativo, muitos relatam como exercício uma caminhada de meia hora batendo papo com amigos. Na verdade, há um despreparo da maioria das academias para receber gente fora do padrão. Como um obeso irá pedalar naqueles cilindros das bicicletas de academia? Ele precisa de ambiente próprio, sem virar alvo de comparações."

O médico Samir Daher, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, lembra que a maior parte da população apresenta sobrepeso, o que ajuda a explicar a prevalência do grupo na pesquisa. "Cerca de 70% da população tem sobrepeso. O exercício só trará ganhos para essa população se for feito de três a cinco vezes por semana, com sessões de no mínimo uma hora"

Estilo de vida

Para Berti, o estilo de vida moderno é diretamente responsável pelo baixo índice de atividade física. "O hábito de exercitar-se deve ser cultivado desde cedo. A criança que fica em casa com o videogame está protegida da violência, mas não de problemas de saúde. Morrem 800 por ano no País por complicações ligadas à obesidade. A doença é subestimada."

Para o médico Marco Túlio de Mello, coordenador do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício da Universidade Federal Paulista, é possível sair da inatividade sem recorrer à academia. "Devemos respeitar a pessoa que não gosta de exercícios. O problema é o quanto ela tem consciência de que deve substituir a falta do exercício por uma vida mais ativa. É possível fazer isso evitando os elevadores", exemplifica.

Giuliana Reginatto

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