Estudo mostra que sexo na TV estimula gravidez prococe

Estudo mostra que sexo na TV estimula gravidez prococe Por Giuliana Reginatto São Paulo, 29 (AE) - Logo no primeiro dia de Big Brother Brasil 9 um dos confinados pedia para dar um tapa no bumbum de uma colega enquanto outro participante relatava experiências sadomasoquistas. A casa também já foi palco para strip-tease, massagem sensual, banhos a dois, triângulo amoroso e beijo sob lençóis: tudo isso em menos de duas semanas.

Agência Estado |

Cenas como essas, de forte apelo erótico, influenciam o comportamento sexual dos adolescentes segundo uma pesquisa norte-americana publicada pela revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.

Participaram do estudo 2.000 adolescentes de 12 a 17 anos, acompanhados durante três anos e questionados sobre seus hábitos sexuais e preferências televisivas. A pesquisa atestou que jovens expostos a conteúdo erótico na TV correm risco dobrado de passar por uma gravidez precoce nos três anos seguintes à exposição. Na opinião da sexóloga Mara Pusch , do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a conclusão do trabalho americano também vale para o Brasil. "Quando o Big Brother tem mais audiência? Durante as cenas debaixo do edredom. As próprias participantes sabem que terão mais chance de sucesso se tirarem a roupa ou beijarem alguém. Isso tudo constrói um contexto de banalização do corpo e da sexualidade", analisa Mara.

A psicóloga acredita que a ficção, apesar dos tropeços,tem potencial para estimular o diálogo sobre sexo na família. "Na novelas ´Páginas da Vida´, por exemplo, o sexo era mostrado por meio da relação afetuosa entre o pianista e a bailarina. Cenas de beijo, em que há de carinho, não precisam ser proibitivas, até porque corre-se o risco de o jovem crescer com a imagem de que sexo é feio, vergonhoso. O problema é que muitas vezes ele é associado à pornografia, soa mais como agressivo do que afetivo", analisa.

Segundo Mara, apelos eróticos externos ajudam a encurtar a infância. "Meninas expostas a esses estímulos menstruam mais cedo, os estímulos fazem com que a criança adolesça mais cedo: algumas falam em ‘beijar na boca’ aos três anos! Essas crianças, embora não tenham a resposta sexual que depende dos hormônios, repetem comportamentos", diz.

Co-cordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente da PUC-SP, a psicóloga Silvia Losacco recomenda cautela ao responsabilizar a TV pela gravidez precoce. "Há outros fatores envolvidos, como o orgânico. Os hormônios da adolescência levam a sensações novas, como o tesão. Se a TV influencia? Responder apenas sim não resolve. A internet também influencia, a música, as relações vinculares. Há um contexto social, cheio de valores, nessa questão", pondera.

Para Silvia, a TV reproduz o que se passa na sociedade. "O registro físico da erotização vem na puberdade, mas a criança é erotizada desde a maternidade, quando o pai faz piada sobre a genitália do filho e diz que será garanhão. O que falta é a problematização, falta ensinar a questionar", diz. Ela exemplifica sua hipótese citando a recente novela das 19h, A Favorita. "A personagem (de Mariana Ximenez) transava a cada dia com um namorado na casa dos avós e isso passou batido, a família não questionava. Esta é a falha da TV: não problematizar, apresentar só o estereótipo dos comportamentos.A erotização tomou um vulto tão grande que ninguém sabe como lidar com ela."

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