Estudo mostra que exame simples indicará se câncer de próstata é grave

Um simples exame de urina poderá ajudar, no futuro, a identificar quando um câncer de próstata é agressivo e traz consigo risco de vida. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, identificou um conjunto de moléculas produzidas por processos bioquímicos nas células tumorais que denunciam a natureza da doença.

Agência Estado |

O trabalho foi publicado hoje na revista Nature .

Muitas vezes o câncer de próstata não evolui para formas fatais. Mas os métodos atuais de diagnóstico ainda são imprecisos para determinar a gravidade da doença. “Algumas pessoas podem passar por cirurgias ou radioterapias sem necessidade”, explica o urologista Fernando de Almeida, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Por isso é tão importante a descoberta de marcadores que revelem quando tratamentos agressivos são necessários.”

Os cientistas estudaram 262 amostras clínicas - de sangue, urina e biópsias - obtidas de três grupos de pessoas: saudáveis, com câncer localizado e com metástase. No material coletado, investigaram a presença de 1.126 moléculas, conhecidas como metabólitos. Descobriram que 87 substâncias estão presentes apenas em tecidos cancerosos. Há também seis moléculas que distinguem os tumores mais agressivos.

Uma delas - o aminoácido sarcosina - mereceu especial atenção. Detectável na urina, pode indicar a severidade da doença. “Homens com câncer de próstata agressivo apresentam níveis mais altos deste aminoácido na urina quando comparados a homens com câncer indolente”, afirma John Wei, coautor do trabalho.

Cerca de 79% das amostras retiradas de indivíduos com tumores agressivos apresentaram níveis altos da substância. Ela também foi identificada em 42% das amostras de pessoas com câncer localizado. No material coletado de indivíduos saudáveis, não houve registro da sarcosina.

Novos casos

Para Gustavo Carvalhal, coordenador do departamento de uro-oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia, o trabalho abre uma perspectiva animadora. “Estudos como esse podem demorar, no mínimo, de três a cinco anos, para chegarem aos consultórios”, ressalva Carvalhal. O urologista da USP Miguel Srougi concorda. “Precisa ser repetido em outros lugares para que os resultados sejam comprovados”, aponta. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), houve 49 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil em 2008. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE

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