Estudo mostra que comerciais de alimentos miram no consumo infantil

A televisão está presente em 94% dos lares brasileiros. E, segundo estudo do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, da Universidade de Brasília (UnB), as crianças são o alvo preferencial de propagandas de alimentos.

Agência Estado |

De acordo com o levantamento, 71,6% dos alimentos anunciados na TV são, nesta ordem, fast-food, guloseimas e sorvetes, refrigerante e suco natural, salgadinho de pacote e biscoito doce ou bolo; e 73,1% dos produtos estão prontos para consumo - a maioria rica em gordura, sal e açúcar.

Desde 2006, o País discute uma nova regulamentação para a publicidade de alimentos. Para os profissionais de saúde, é hora de banir comerciais de comida com altas taxas de gordura, açúcar e sal entre as 6 e 21 horas, e proibir a associação de brinquedos a alimentos em qualquer horário. Se dependesse deles, chocolate, achocolatados e refrigerantes doces sairiam da TV, das revistas e dos jornais. Cereais e biscoitos, só se mudassem a fórmula de seus produtos e reduzissem os teores de açúcar.

“As mães começam a dar papa cheia de farinha, biscoitos doces, refrigerantes e até iogurtes com açúcar já na primeira infância, antes dos 3 anos”, diz Renata Monteiro, coordenadora da pesquisa da UnB. “A situação é parecida com a do cigarro, mas a indústria de alimentos é poderosa e até agora conseguiu barrar o controle.”

Para o pesquisador Carlos Augusto Monteiro, da Universidade de São Paulo, a propaganda de alimentos está cada vez mais sofisticada, agressiva e eficaz. “Ela é viável a partir do enorme lucro que as empresas têm com produtos feitos de matéria-prima baratíssima - açúcar para refrigerante, óleo vegetal para biscoitos -, por serem produtos de marca e produzidos por megacorporações.” Metade de uma simples barra de cereal pode ser feita de açúcar, exemplifica Monteiro.

Desde dezembro, o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) sustou dez anúncios dirigidos a crianças e adolescentes. A ONG recebe denúncias dos consumidores e talvez por falta delas as propagandas de alimentos infanto-juvenis continuem no ar. Na pesquisa da UnB, dos 565 comerciais diferentes analisados, só 38 foram julgados pelo Conar.

Eduardo Nunomura

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