Estudo mostra que clozapina diminui risco de morte por esquizofrenia

Milhares de pessoas com esquizofrenia poderiam ter sido salvas se os médicos tivessem prescrito clozapina, uma droga antipsicótica lançada nos anos 70, mas proibida por cerca de uma década em razão de um raro efeito colateral. A afirmação está em um estudo, publicado na revista The Lancet, das taxas de óbitos de cerca de 67 mil pacientes esquizofrênicos na Finlândia em relação às da população em geral, entre 1996 e 2006.

Agência Estado |

Jari Tiihonen, da Universidade de Kuopio, na Finlândia, e seus colegas descobriram que pacientes tratados com clozapina corriam risco menor de morrer. Concluíram que drogas mais novas, como a quetiapina, o haloperidol e a resperidona, aumentaram o risco de morte em 41%, 37% e 34%, respectivamente, quando comparadas a drogas mais antigas. Os pacientes tratados com clozapina tinham 26% menos chances de morrer.

Segundo especialistas, a descoberta será aproveitada em outros países. James MacCabe, psiquiatra e consultor da Unidade Nacional de Psicoses no South London and Maudsley Hospital, em Londres, definiu a pesquisa como “espetacular e chocante”. “Será preciso rever as diretrizes para que a clozapina se torne disponível a uma parcela muito maior de pacientes.” Ele diz que a clozapina é particularmente eficiente na redução das tendências suicidas em esquizofrênicos, nos quais os suicídios representam cerca de 40% das mortes inesperadas.

“Devemos encontrar maneiras de fazer com que esse medicamento seja ministrado a um número maior de pessoas”, disse Lydia Chwastiak, do departamento de Psiquiatria da Universidade Yale. “Se essa droga pode ajudar as pessoas a viverem melhor, precisamos avaliar seriamente as barreiras que impedem seu uso”, afirmou.

Na maioria dos países desenvolvidos, a clozapina é usada como último recurso, no caso de os pacientes terem tentado duas outras drogas, sem melhoras. Isso porque a droga causa um raro efeito colateral potencialmente letal: até 2% dos pacientes perderam seus leucócitos durante o tratamento. Tiihonen disse que a indústria farmacêutica deve ser culpada em parte pelo fato de a clozapina ter sido negligenciada. “A patente expirou há muito, portanto não será possível fazer grandes ganhos com sua comercialização.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE-AP

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