Estudo mostra que 15% dos jovens com piercings têm complicações

Cerca de 15% dos jovens que usam algum tipo de piercing procuram um serviço de saúde porque não agüentam a dor, o inchaço ou a febre. Um número equivalente relata complicações, mas não procura ajuda.

Agência Estado |

Inflamação, sangramentos e infecção constituem os problemas mais comuns. Os dados são de uma pesquisa publicada no British Medical Journal , em que foram entrevistados 1.049 ingleses que usam ou já usaram piercing.

No Brasil, não há levantamentos semelhantes, mas a pediatra Geni Worcman Beznos, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, acredita que os dados no País são parecidos. Ela costuma perguntar aos adolescentes que entram no seu consultório: "Por que você usa esse piercing?" Quase sempre, eles desconhecem os riscos.

A região do corpo onde ocorre a maior parte das complicações é a língua. Segundo o estudo britânico, cerca de 50% das perfurações no local trazem algum inconveniente. Em 24% dos casos, o episódio termina em um consultório médico. "A língua é um local com muitos vasos sanguíneos", explica Geni. "Por isso, defende-se bem de infecções, apesar de inchar bastante." Mas, se uma colônia de bactérias vence a resistência do organismo e entra na corrente sanguínea, pode causar complicações sérias como a endocardite bacteriana, uma infecção do tecido cardíaco.

O risco motivou a criação, em São Paulo, da Lei Estadual nº 9 828, de 1997, que proíbe a colocação de piercings em menores, mesmo com a autorização dos pais. Mas é fácil encontrar lugares que realizam o procedimento em adolescentes.

Seqüelas

Cerca de 50% das mulheres britânicas de 16 a 24 anos utilizam piercing. Geni também acredita que é o grupo de maior incidência no Brasil. Um dos problemas mais temidos são quelóides, cicatrizes anômalas que não param de crescer. O tratamento pode demorar. O médico do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, Perboyre Lacerda Sampaio, afirma que nos casos de infecção da cartilagem é mais difícil evitar as seqüelas. "O antibiótico não chega ao tecido com facilidade." Ele atende, todos os anos, cerca de 20 pessoas que precisam de ajuda para reconstruir a orelha ou o nariz por causa de problemas com piercing.

Alexandre Gonçalves

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