Estudo indica que poluição causa infertilidade masculina

A infertilidade masculina pode entrar para o inventário de problemas de saúde provocados pela poluição, mostram resultados preliminares de um estudo ainda inédito. A pesquisa é coordenada pelo médico Jorge Hallak, especialista do Hospital das Clínicas, e alerta que está prejudicada a qualidade do sêmen de vários profissionais que trabalham constantemente expostos aos poluentes.

Agência Estado |

“O que é muito grave, porque é um indicativo de que a poluição está afetando a evolução da espécie humana”, alerta ele.

Foram 60 homens já avaliados, todos com idades semelhantes e que diariamente inalam os gases tóxicos de São Paulo. Todos eles, tiveram algum problema em decorrência da poluição. Os espermatozoides dos participantes foram avaliados em laboratório e comparados com um grupo que não convive tão exposto com a emissão. “Já concluímos que a poluição interfere no sistema reprodutivo. Transforma o hormônio masculino em hormônio feminino, compromete a barreira de sangue que envolve o testículo e promove lesões crônicas no DNA”, diz Hallak.

A pesquisa ainda não foi concluída. Mais 60 homens serão avaliados e a publicação internacional está prevista para os próximos meses. Será um dos primeiros estudos conduzidos pelo recém-criado Instituto de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), que tem a missão de colocar na ponta do lápis os custos financeiros da poluição, conforme informou reportagem do Jornal da Tarde na última semana. O diretor do novo órgão, Paulo Saldiva, diz que os números vão endossar o coro por políticas públicas de redução de poluentes.

A infertilidade será somada aos já altos US$ 208 milhões desembolsados anualmente no Brasil, apenas para sanar as 47 mil mortes prematuras, 20 mil hospitalizações, 50 mil casos de bronquite crônica, entre outros, como estimam os pesquisadores. A suspeita de que a infertilidade masculina é correlacionada à poluição surgiu quando os índices do problema começaram a subir em países desenvolvidos, conta Hallak.

Desequilíbrio

Há 30 anos, os inférteis somavam 5%. Hoje já são 10%, informa a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Recente estudo da USP já havia constatado impactos na reprodução: em área mais poluída, foi revelado que nasceram 1.180 meninos a menos do que meninas, um desequilíbrio de 1%. Artur Dizik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, ressalta que os camundongos já evidenciaram que o sistema reprodutivo é comprometido pela poluição. “Não é exagero colocar a infertilidade como mais um item na lista de problemas dos poluentes”, diz. “A cautela é que a infertilidade é causada por múltiplos fatores. Além da poluição, álcool, genética, fumo, alimentação.”

Fernanda Aranda

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