Estudo indica que 31% dos adultos que tiveram câncer na infância fumam

Uma pesquisa realizada pela psiquiatra Célia Lídia da Costa sobre a incidência de tabagismo em pessoas que se recuperaram de câncer na infância revelou que 31% dos adultos que tiveram a doença fumam. Segundo a psiquiatra, ansiedade e estresse estão entre os motivos que levam essa pessoa que teve câncer a adotar um hábito que comprovadamente pode trazer novamente ao problema à tona.

Agência Estado |

Diretora do Grupo de Apoio ao Tabagista do Hospital A.C. Camargo, há cerca de cinco anos ela iniciou a pesquisa com 278 adultos, que será publicada na revista Public Health . O índice de 31% surpreende quando se compara à média da população fumante no Brasil - segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 18%. A incoerência pode espantar os leigos. Para Célia e outros especialistas, essa contradição é apenas aparente.

A psiquiatra diz ser comum as pessoas que sofreram de câncer apresentarem distúrbios como ansiedade ou estresse pós-traumático. “Esses problemas acometem grupos como sobreviventes de guerra ou tragédia e vítimas de sequestro.” Superar o câncer seria parecido. O fumo seria o atalho para suavizar esses sintomas. “Quando o indivíduo percebe que o cigarro ajuda a controlar depressão, ansiedade e outros problemas, vê que não consegue viver sem ele.”

Diretor da Associação Brasileira de Especialistas em Situações Traumáticas (Abrest), Eduardo Ferreira-Santos diz que o hábito de fumar está ligado à ansiedade. “Estudos mostram que a nicotina tem efeito calmante”, afirma o psiquiatra. “O fato é que o câncer predispõe (ao estresse). Mas, muitas vezes, a ansiedade é maior que o medo da reincidência. Por isso, as pessoas podem racionalizar: 'se eu já tive uma vez, dane-se'.” Segundo ele, o pensamento de que uma pessoa que vivenciou um sofrimento irá aprender com ele e evitar sua repetição nem sempre ocorre.

Humberto Maia Junior

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