Estudo discute eficácia de prótese que desobstrui artéria

A real necessidade do uso do stent vem gerando polêmica na área médica e tem colocado em lados opostos cardiologistas clínicos e os que fazem a colocação do equipamento. O stent é uma espécie de mola metálica, implantada nas artérias coronarianas obstruídas com o objetivo de normalizar a irrigação sanguínea.

Agência Estado |

Estudos recém-divulgados mostram que, nos casos menos graves de doença coronariana, a implantação de stent pode não reduzir a mortalidade nem o risco de enfarte e tampouco aumentar a qualidade de vida. Apontam ainda que, no caso de doenças coronarianas de risco baixo ou moderado, o tratamento clínico com medicamentos pode ser suficiente para conter a evolução do quadro.

O debate ficou mais aguçado depois da divulgação no New England Journal of Medicine , uma das mais conceituadas publicações médicas, do estudo Courage, sigla em inglês para Resultados Clínicos que Utilizam Revascularização e Avaliação de Droga Agressiva. A pesquisa acompanhou 2.287 pessoas com artérias parcialmente obstruídas e angina estável, entre 1999 e 2004. Os pacientes foram divididos em dois grupos.

Em um deles, os pacientes seguiram um tratamento clínico rigoroso, tomando medicamentos prescritos adequadamente e na dosagem ideal, além de terem feito mudanças no estilo de vida, como emagrecer, fazer atividades físicas e parar de fumar. No segundo grupo, além de terem feito tudo isso, os pacientes também foram submetidos à angioplastia e à colocação de stent. A conclusão foi que não houve diferenças significativas entre os dois grupos em relação à mortalidade e à redução de risco de enfarte.

Há duas semanas, no Congresso Europeu de Cardiologia, um desdobramento do estudo reforçou esse resultado: três anos após o Courage, também não foram registradas alterações significativas na qualidade de vida dos dois grupos. O cardiologista Expedito Ribeiro, do Hospital TotalCor (antigo Santa Bárbara), que fará palestra sobre o estudo no dia 27 deste mês, no Simpósio Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista - Abordagem Clínica, que acontecerá em São Paulo, discorda da conclusão. Ele cita o próprio resultado do Courage: “Depois de mais de 4 anos, 32% dos pacientes em tratamento clínico exclusivo tiveram de passar por uma cirurgia de revascularização. No grupo que fez a angioplastia e colocou o stent, esse índice foi de 22%.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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