O estudo do genoma com o objetivo de identificar predisposição a doenças como diabete e hipertensão ainda não está avançado o suficiente para garantir exames precisos, indica pesquisa publicada este mês na revista Public Library of Science Genetics . Segundo pesquisadores das universidades americanas de Pittsburgh e da Califórnia, as informações levantadas pelos estudos genômicos de associação - que analisam marcadores genéticos para apontar predisposição a doenças - por enquanto são mais relevantes para entender a biologia das enfermidades do que para prever o risco individual de desenvolvê-las.

Eles analisaram a validade clínica de testes para diabete tipo 2, câncer de próstata, problemas cardíacos, degeneração macular relacionada à idade e doença de Crohn. Concluíram que os resultados não aumentaram a capacidade de predição das doenças se comparado à análise de fatores de risco tradicionais. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Salmo Raskin, “esse tipo de teste será fantástico daqui a uns dez anos”.

“Até lá, a gente deve conhecer todos os genes envolvidos nessas doenças complexas e saber qual é o peso da genética e o do ambiente para sua manifestação.” No Brasil ainda não há regulamentação sobre o uso desse tipo de exame, mas o Conselho de Medicina considera antiética sua comercialização. No início deste mês, uma rede brasileira de clínicas, que oferece comercialmente esse tipo de serviço, teve uma filial interditada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e pela Vigilância Sanitária.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Henrique Gonçalves, a comercialização de testes preditivos genéticos é uma prática antiética. “O conselho é extremamente favorável à pesquisa. Mas é preciso fazer projeto, pedir aprovação de um conselho de ética e fazer a pesquisa sem que a pessoa tenha de pagar”, diz. “Quando você pega um produto que não tem comprovação científica e entra no mercado, está fazendo pesquisa em humanos sem aprovação, está enganando o paciente que paga pelo serviço.”

Karina Toledo

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