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Estudo aponta possibilidade de reprogramar células de doentes

Cientistas das Universidades Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez transformar células da pele de pacientes com uma doença neurodegenerativa (esclerose lateral amiotrófica) em células do sistema nervoso, iguais às que são destruídas pela doença. O experimento, publicado hoje na revista Science , é mais um avanço nas pesquisas com células-tronco de pluripotência induzida (iPS, em inglês), que há dois anos dividem espaço com as células-tronco embrionárias (CTEs) no palco de celebridades da biomedicina.

Agência Estado |

Ambas têm a capacidade de se transformar em qualquer tecido do organismo, com a vantagem de que as induzidas não requerem o uso de embriões. A transformação, nesse caso, é mediada pela introdução de quatro genes no DNA de uma célula adulta. Os genes funcionam como um software que reformata a célula de volta ao seu estado "original de fábrica" (pluripotente), equivalente ao das células-tronco embrionárias - que precisam ser colhidas diretamente da "fábrica", ou seja, de um embrião, o que causa objeções éticas à pesquisa.

O estudo abre a possibilidade de produzir células-tronco geneticamente customizadas e em grande quantidade de qualquer paciente, para uso em pesquisas in vitro ou no tratamento de doenças.

O primeiro trabalho com células iPS (de camundongo) foi publicado há dois anos por uma equipe da Universidade de Kyoto, no Japão. Em novembro de 2007, saíram os primeiros resultados com células humanas, retiradas de pessoas jovens e sadias. Agora, os cientistas foram um passo além: mostraram que é possível reprogramar as células de pessoas idosas e doentes, que poderão se beneficiar diretamente da técnica no futuro.

Gene

A esclerose lateral amiotrófica (ELA), famosa por acometer o físico britânico Stephen Hawking, é uma doença neurodegenerativa incurável, caracterizada pela perda de neurônios motores, o que causa paralisia progressiva de músculos e órgãos e acaba por levar à morte. Uma solução seria repor os neurônios destruídos com neurônios produzidos em laboratório, por meio da transformação de células iPS. Como as células seriam do próprio paciente, não haveria risco de rejeição.

Essa possibilidade existe, mas ainda está longe de ser colocada em prática, dizem os cientistas. Os pesquisadores trabalharam com células da pele de duas mulheres, de 82 e 89 anos, ambas portadoras de uma forma hereditária de ELA, causada pela mutação de um único gene. A equipe tinha dúvidas se as células de pessoas tão idosas manteriam a capacidade de ser reprogramadas ao estágio embrionário por causa do desgaste natural que os tecidos sofrem com a idade. Mas tudo funcionou surpreendentemente bem. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE

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