Estudo: 80% dos funcionários de farmácias indicam remédios

Exposição ao sol, problema no fígado, falhas na visão e até tumor no cérebro. Foram alguns diagnósticos que os balconistas das farmácias arriscaram para pacientes com queixa de dor de cabeça crônica, durante a pesquisa realizada em 143 estabelecimentos farmacêuticos de todo Brasil.

Agência Estado |

Pior: em 80% dos casos, os funcionários recomendaram remédios de acordo com o que acreditavam ser o sintoma. Mais da metade deles (58%) não orientou as pessoas a procurar o médico antes de tomar a medicação.

O estudo foi conduzido pelo neurologista Abouch Krymchantowski, membro da Academia Norte-americana de Dor de Cabeça. Em cinco meses, ele e a equipe de 10 residentes visitaram farmácias de todas as regiões do País, inclusive de São Paulo, para avaliar a conduta dos profissionais. Os pesquisadores abordavam os balconistas, sempre relatando os sinais clássicos de enxaqueca: dor forte em um lado da cabeça, incômodo com a luz e episódios de vômitos e náuseas. Depois, solicitavam a recomendação de um produto terapêutico.

“Foi surpreendente a quantidade de balconistas que, por conta própria, prescreveu remédios. A maioria nem sequer indicou a visita ao médico e em 12% dos casos, disseram que a consulta ao especialista só deveria ser feita se o remédio prescrito não funcionasse”, afirma Krymchantowski, ao ressaltar que 90% dos balconistas não consultaram nem o farmacêutico de plantão dos locais, antes de vender a droga recomendada.

Segundo o último relatório da Fundação Oswaldo Cruz, as medicações lideraram o ranking de causas de intoxicação e acumularam 30,5% dos 108 mil registros, o recorde histórico desde que as publicações começaram a ser feitas, em 2001. Tanto o Conselho Nacional de Saúde quanto a Vigilância Sanitária de São Paulo já emitiram pareceres relacionando que a liderança dos remédios está ligada ao hábito de tomar remédio sem avaliação clínica. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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