Estudiosos consideram atípicas tragédias naturais recentes no País

Santa Catarina, novembro de 2008. Fortes e ininterruptas chuvas causam a morte de 135 pessoas, desalojam 5.617 moradores, deixam cidades submersas e regiões completamente inacessíveis. São Paulo, verão de 2010. Chuvas ininterruptas causam uma sequência de inundações e ocasionam 78 mortes no Estado. Angra dos Reis, janeiro de 2010. Mais de 50 pessoas morrem em razão de deslizamentos de terras e outros efeitos das fortes chuvas na região.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

As chuvas que assolaram o Rio de Janeiro na última terça-feira  e provocaram mais de uma centena de mortos são mais um exemplo dos fenômenos vivenciados no Brasil recentemente, considerados atípicos por estudiosos do assunto e que levaram ao questionamento sobre se o padrão climático do Brasil está mudando ou não. Especialistas dizem que não há estudos científicos que provem, ainda, alteração no padrão médio do clima. Mas que a percepção popular de que antes não era assim pode não estar de todo errada.

A ocorrência de verões mais quentes do que a média, invernos mais frios e períodos de chuva mais intensos (fenômenos verificados no País nos últimos 12 meses) são comumente associados a fatores como maior emissão de gás carbônico, o aumento do desmatamento e outras interferências que acabariam por provocar essas alterações climáticas.

Meteorologistas, porém, dizem que ainda não há um padrão neste comportamento. Fatores extraordinários aconteceram no passado e irão continuar ocorrendo no futuro. A repetição constante deles é que poderá estabelecer se essas alterações são perenes ou não.

AP

Chuva deixa Rio alagado

Há três vertentes: as pessoas em geral têm memória muito curta sobre as condições do tempo no passado, os meios de comunicação difundem melhor o que acontece em outras partes do País e existem esses eventos climatológicos acontecendo num intervalo muito próximo uns dos outros, afirma Morgana Almeida, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia.

Segundo ela, as pessoas tendem a achar que o que acontece hoje não acontecia no passado - porque não se lembram, não que esses fenômenos de fato não ocorressem. Afirma ainda que hoje os moradores de São Paulo, por exemplo, sabem de informações sobre inundações e secas em outras partes do País. Antes, somente os habitantes locais acompanhavam esses fenômenos. Mas concorda que houve uma incidência de eventos de grande intensidade próximos entre eles no Brasil. Antes não se registrava um tão perto do outro.

Para Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo, a impressão de mudança pode ter um fundo de verdade. Vem acontecendo uma maior freqüência de catástrofes naturais, tem sido mais freqüente. O que vem sendo observado é que a ação do homem tem provocado um efeito no clima. Mas ainda não há um estudo que comprove isso.

As pessoas sempre tendem a achar que o clima está mudando, mas isso não pode ser provado cientificamente. Existem fenômenos climáticos que se repetem de tempos em tempos. Mas o que está acontecendo hoje não tem nada de muito diferente, nada de muito fora das condições normais, diz Márcio Custódio, diretor-técnico da Somar Meteorologia. Para ele, é necessário esperar um período de tempo mais longo para poder se certificar de que há de fato uma alteração no comportamento padrão.

Gustavo Escobar, coordenador do grupo de previsão meteorológica do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), acredita que os eventos registrados em São Paulo e Rio nestes últimos meses são atípicos, mas ainda não podem ser descritos como um novo padrão de comportamento.

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