Estudantes continuam no prédio da reitoria da UnB

BRASÍLIA - Depois de uma reunião fechada com a Polícia Federal (PF) na manhã deste domingo, os quase 100 estudantes que permanecem acampados no prédio da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) optaram por realizar uma assembléia-geral ao meio-dia desta segunda-feira para discutir novos rumos da ocupação.

Redação com agências |

Raul Cardoso, aluno de ciências políticas da UnB e um dos quatro integrantes da comissão de negociação que participou da reunião, garantiu que o tom da conversa foi tranqüilo.

Agência Brasil
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Estudantes decidiram manter
a invasão neste domingo
Apesar das ameaças anteriores de desocupação, ele diz que a PF sinalizou que não deve retirar os estudantes à força pelo menos até as 15h de amanhã, quando as partes voltam a se reunir. Amanhã, a gente tem das 7h30 até o meio-dia para rodar a universidade inteira, passando em todas as salas e em todos os prédios [convocando os alunos para a assembléia]".

Cardoso afirma que, durante a reunião, a comissão foi informada de que o pedido de agravo, feito pelos advogados dos alunos, para anular a reintegração de posse do prédio da reitoria, foi indeferido na noite de sábado (5) e que, portanto, a ordem para a retirada dos alunos pela PF continua correndo.

Para Carla Gamba, coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e estudante de artes cênicas da UnB, a ordem de reintegração de posse não influencia na decisão dos estudantes de seguir com a manifestação. O que vai definir se a gente sairá ou não é essa decisão política que vamos ter [com a assembléia-geral] e não com base em ameaças".

Ela lembra que, até o momento, a UnB não apresentou uma contraproposta concreta à pauta de quase 20 pontos elaborada pelos manifestantes. Segundo Carla, a instituição apresentou apenas um termo de compromisso, que estabelece que o afastamento do reitor e do vice-reitor está fora de cogitação, além de propostas como a discussão da paridade nas eleições e o aumento de 20% do auxílio-moradia a partir de maio.

Para o estudante do 8º semestre do curso de serviço social Fábio Félix, decisões tomadas pela administração da UnB, como o corte do fornecimento de água e energia elétrica aos estudantes por um período de 30 horas, dificultaram as negociações. Em nenhuma ocupação no Brasil as administrações de universidades desligaram água e luz, que são direitos básicos e humanos. É muito possível que os estudantes reunidos não aceitem as propostas da universidade e mantenham a ocupação por tempo indeterminado.

Fábio é um dos estudantes que estão acampados desde as 14h da última quinta-feira (3) dentro do gabinete do reitor. Ele avalia que os alunos investiram em uma ação tão radicalizada porque a interlocução com a administração da instituição e com os gestores do Ministério da Educação (MEC) já estava comprometida. 

Os estudantes estão trancados na reitoria e recebem apoio de outros alunos que estão acampados do lado de fora. Comida e bebida são compradas com recursos arrecadados de alunos e professores na própria UnB e encaminhados aos estudantes por meio de sacolas amarradas em cordas.

Reivindicações

As principais reivindicações dos estudantes são a saída do reitor, Timothy Mulholland, e do vice-reitor, Edgar Mamiya, a dissolução do conselho da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e a convocação de novas eleições diretas e paritárias imediatamente.

A paridade entre professores, funcionários e estudantes nos conselhos e nas eleições da universidade são uma antiga reivindicação do movimento estudantil.

Na última sexta-feira, a Justiça do Distrito Federal determinou a desocupação do prédio . Os alunos afirmam que não sairão e que vão recorrer da decisão.

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* Com informações da Agência Brasil e Agência Estado

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