No primeiro debate entre os sete candidatos a prefeito do Recife, realizado no início da noite de hoje na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, a grande estrela foi Maria das Graças Carneiro da Cunha, uma estudante de jornalismo que integrava o público que superlotava o auditório. Depois de conseguir impedir o debate por 30 minutos, ela deixou o local sob vaias e gritos de louca e fora.

Quanto mais a platéia a vaiava e pedia sua expulsão, e quanto mais os organizadores do evento lhe pediam calma, mais ela se exaltava.

Irritada, ela insistia em que os candidatos respondessem a uma questão que ela considera fundamental: se aprovam a redução da maioridade criminal para 16 anos em uma capital que detém um dos maiores índices nacionais de criminalidade, que envolve grande parte dos jovens. Era o início do primeiro módulo, no qual os postulantes a prefeito tinham cinco minutos cada para se apresentarem. O quinto e o sexto candidatos (Roberto Numeriano, do PCB, e Carlos Eduardo Cadoca (PSC) não conseguiram falar diante da performance da estudante.

A partir daí, a confusão tomou conta, até que professores do Departamento de Jornalismo a convenceram a sair e a levaram a uma sala de atendimento acadêmico, no bloco vizinho. Alcivan Oliveira, coordenador da "Semana da Integração", que incluiu o debate, afirmou não ter havido descontrole nem avaliou ter havido falta de pulso dos organizadores. Antes de Maria das Graças, partidários dos candidatos se manifestaram livremente, aplaudindo, vaiando e também gritando palavras de ordem. Para Oliveira, tal manifestação era um risco que se corria, mas ele afirmou preferir o risco a enfrentar uma platéia reclamando falta de democracia e liberdade de expressão.

Vaias

Primeiro a falar, ainda em um ambiente tranqüilo, Mendonça Filho (DEM) - segundo lugar nas pesquisas de opinião - destacou que, se eleito, fará intervenções especialmente para fazer frente ao "quadro caótico" do ensino fundamental e ao fato de apenas 10% da população infantil ser atendida por creches. Disse se orgulhar de ter feito parte do governo estadual (com Jarbas Vasconcelos, do PMDB), que, segundo ele, possibilitou Pernambuco viver uma nova realidade, passando a ser alvo de investimentos econômicos.

KátiaTelles, do PSTU, criticou todos os candidatos. Alvo de vaias e gritos, mal conseguiu terminar sua fala. Já o candidato oficial, João da Costa (PT), primeiro colocado nas pesquisas, usou seu tempo para enumerar os feitos do atual prefeito e seu padrinho político, João Paulo (PT) e citou duas vezes os apoios do governador Eduardo Campos (PSB) e do presidente Lula (PT). Encerrado o tumulto maior - que também atrapalhou a apresentação de Raul Henry (PMDB), quarto preferido nas pesquisas -, os outros blocos do debate foram prejudicados pela falta de ordem, com jornalistas encarregados de fazer perguntas, e também candidatos sendo vaiados.

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