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ESTREIA- Equilibrista narra feito de francês nas Torres Gêmeas

SÃO PAULO (Reuters) - Vencedor do Oscar de documentário de 2009, a co-produção anglo-americana O Equilibrista, de James Marsh, reconstitui com grande riqueza de detalhes e em clima de suspense a incrível aventura do francês Philippe Petit, que há 35 anos andou sobre um fio de aço estendido entre as Torres Gêmeas, no World Trade Center, em Nova York. A caminhada de 45 minutos, no dia 7 de agosto de 1974, aconteceu no mesmo local que acabou sendo palco dos atentados de 11 de Setembro de 2001. O filme estreia apenas em São Paulo.

Reuters |

A centenas de metros do chão, sem rede de proteção, Petit desafiou bem mais do que a lei da gravidade e a própria sorte. A preparação de sua aventura, aliás, foi totalmente clandestina, até porque era ilegal -- nenhuma autoridade do mundo a autorizaria, por óbvias razões de segurança.

Assim sendo, a façanha nas Torres Gêmeas, de longe a mais ousada da vida do equilibrista, exigiu uma logística digna de uma operação militar, com um toque de empreitada criminosa. Foi necessário que ele e seus amigos driblassem a segurança do megaprédio, ainda em construção nos anos 70, introduzindo ali dezenas de metros de cabos de aço e ferramentas que permitiriam a caminhada aérea de Petit.

O filme reconstitui os preparativos da ação, contando com depoimentos do próprio Petit e seus amigos, como Jean-Louis Blondeau e Jean-François Heckel e a namorada Annie Alix. Além disso, recorre-se a imagens filmadas em Super 8 e fotografias realizadas pela irrequieta trupe à época, muitas delas feitas quando Petit e um dos colegas conseguiram fazer-se passar por repórteres, o que lhes permitiu uma das muitas visitas prévias ao topo dos prédios, essenciais para o cálculo da estratégia da colocação dos cabos.

É especialmente bem-feita a reencenação, utilizando atores e tendo como áudio a narrativa de Petit e amigos -- inclusive alguns norte-americanos --, que permite visualizar como eles introduziram furtivamente seus equipamentos nas torres. Muitas vezes, eram forçados a esconderem-se debaixo de lonas e ali permaneceram imóveis por horas, para evitar serem capturados pelos seguranças do local.

A reconstituição é tão boa que, mesmo sabendo-se evidentemente que toda a operação foi um sucesso, sente-se muito palpavelmente o risco envolvido em tudo aquilo. Graças a isso, os espectadores podem sentir quase o mesmo frio na barriga que os aventureiros sentiram em todas as etapas do processo, que correu o risco de falhar até o último momento, por problemas técnicos e até atmosféricos, como o forte vento nas alturas.

A grande façanha de "O Equilibrista" é não se esgotar na descrição desta grande aventura e suas consequências -- logo depois, Petit e amigos foram presos, sendo um deles deportado. O filme vai além, retratando a personalidade que mantém essa estranha paixão de quase voar tão longe do chão, que é a própria razão de viver de Philippe Petit, hoje com 60 anos, e captando, também, o clima libertário e contestador de sua época.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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