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ESTRÉIA-Obra de Stephen King inspira suspense O Nevoeiro

SÃO PAULO (Reuters) - O suspense O Nevoeiro, que estréia em todo país na sexta-feira, é baseado em uma história de Stephen King, mestre do gênero, e traz algo mais além dos inevitáveis sustos proporcionados pelos efeitos especiais. O nome do escritor pode afastar quem já está cansado de filmes com temas sobrenaturais e alienígenas ou não tem se empolgado com as adaptações mais recentes de suas obras (caso de O Apanhador de Sonhos).

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Mas não há nada a temer. Com dois filmes baseados em histórias do escritor ('A Espera de um Milagre' e 'Um Sonho de Liberdade'), o diretor Frank Darabont ('Cine Majestic') é um dos adaptadores mais fiéis do universo de King e não costuma desagradar aos fãs do autor, e mesmo quem nunca o leu.

A ação é desencadeada pelo fenômeno do título. Depois de uma forte tempestade, uma névoa cobre uma pequena cidade do Maine -- cenário favorito de King --, onde todos parecem se conhecer.

Um grupo de pessoas fica preso num mercado, que serve como um microcosmo da sociedade norte-americana. Aqueles que se aventuraram a sair não voltam. O que de tão mortal esconde esse nevoeiro?

Darabont e seus efeitos especiais mostram muito pouco do inimigo escondido no nevoeiro, um tentáculo aqui, algo ainda mais repelente ali. O que interessa para o diretor é a disputa de poder que se instaura naquele ambiente.

David (Thomas Jane, de 'Pecado Original') parece ser um líder nato e toma a frente no comando. Porém, ele sempre é democrático, consultando a todos sobre o que fazer.

Quem não concorda muito com ele é o seu vizinho Brent (Andre Braugher, de 'Poseidon'), com quem já teve certas diferenças, e a sra. Carmody (Marcia Gay Harden, de 'Na Natureza Selvagem'), uma religiosa fanática que vê no fenômeno inexplicável a ira de Deus.

Esses personagens são mais tipos humanos do que pessoas reais. Não possuem muita densidade emocional ou psicológica, mas isso não é um problema, pois o diretor pretende lidar com a disputa de liderança pelos diversos grupos e as suas consequências.

Publicada nos anos de 1980, a história de King se mantém bastante atual por parecer um comentário sobre os Estados Unidos da era Bush, quando grupos diferentes deveriam cooperar para lidar com uma ameaça externa e desconhecida, como o terrorismo.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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