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ESTRÉIA- Mamma Mia! combina ABBA, Grécia e Meryl Streep

SÃO PAULO (Reuters) - Num certo momento da versão para o cinema do musical do teatro Mamma Mia!, a personagem de Meryl Streep diz :não quero falar. E ela vai falar muito pouco mesmo. A frase é apenas o primeiro verso de uma das dezenas de músicas do grupo ABBA, que ela e seus colegas de elenco vão cantar no filme, que estréia em todo o país nessa sexta-feira. Os hits do Abba que desfilam ao longo das quase duas horas de Mamma Mia! não se encaixam muito bem na história e tudo parece forçado. Assim, a personagem de Meryl não tem muito dinheiro, mas pode cantar Money, Money, Money e sonhar com a vida dos ricos; ou uma mulher mais velha faz um jogo de sedução com um rapaz e canta Does your mother know? (Sua mãe sabe?).

Reuters |

Numa ilha grega paradisíaca, Sophie (Amanda Seyfried), de 20 anos, vai se casar, mas não sabe quem é o seu pai. Depois de ler o diário da mãe, Donna (Meryl), uma ex-hippie, descobre que há três homens que podem ser seu pai e os convida sem contar para ninguém o porquê. Eles são Sam (o ex-007 Pierce Brosnam), um arquiteto; Bill (Stellan Skarsgård, de 'Fantasmas de Goya), um aventureiro descolado; e Harry (Colin Firth, de 'O Diário de Bridget Jones'), um sujeito certinho e todo reprimido.

Faltam dois dias para o casamento e, para passar o tempo, os personagens andam pela ilha, se encantam com a paisagem e soltam a voz, com as músicas da banda, como 'Dancing Queen' (que já foi mais bem aproveitada em 'O Casamento de Muriel'), 'Super Trooper, 'Our Last Summer' e 'Voulez-Vous'. E todo mundo canta o tempo todo -- inclusive os 'gregos' que só abrem a boca para fazer o coro para os famosos.

Como aconteceu com a segunda versão de cinema de 2005 de 'Os Produtores' (a primeira foi lançada no Brasil como 'Primavera para Hitler'), 'Mamma Mia!' foi feita basicamente pela mesma equipe técnica da Broadway, a roteirista Catherine Johnson, a produtora Judy Craymer e a diretora estreante Phyllida Lloyd, que parece não ter descoberto ainda para que serve uma câmera. 'Mamma Mia!' não foi pensado cinematograficamente, e isso fica evidente na tela.

As músicas não se encaixam na ação e os personagens parecem não entender o que estão cantando, mas sorriem e repetem seus versos afinadamente. O problema aqui não é tentar disfarçar a cafonice das músicas com um cenário paradisíaco ou uma grande atriz (que parece estar apenas brincando), o que atrapalha é como nada parece estar no lugar certo, desde os números musicais até as amigas de Donna, vividas por Julie Walters e Christine Baranski.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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