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ESTRÉIA- Iluminados coloca diretores de fotografia em cena

SÃO PAULO (Reuters) - A fotografia no cinema ainda é uma questão que confunde muita gente. Qual é realmente a função de um diretor de fotografia? Como ele pode ajudar o diretor de um filme a transformar uma idéia em imagem? São questões como essas que emergem no documentário Iluminados, de Cristina Leal, que estréia em São Paulo e Rio nesta sexta-feira. Iluminados é um documentário que parte de uma boa idéia e a executa muito bem. A diretora convidou seis dos mais importantes diretores de fotografia brasileiros da atualidade e deu uma mesma cena para eles iluminarem e enquadrarem de acordo com seus gostos e opções pessoais. O que se vê na tela são seis momentos completamente distintos, o que só comprova o pluralismo do cinema.

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Antes de cada cena, porém, o filme conta com depoimentos dos diretores sobre sua formação e influências. Dib Lutfi ('Como Era Gostoso o Meu Francês'), por exemplo, se mostra o mais interessado nas novas tecnologias. Em 2006, ele filmou 'Carreira', de Domingos de Oliveira, em digital. Na sua versão da cena de 'Iluminados', ele usa câmera no ombro e faz um plano-sequência (uma longa tomada sem interrupção).

Edgar Moura ('A Hora da Estrela') também opta por um plano sem cortes, mas sua concepção é completamente diferente da do colega. Fernando Duarte ('Ganga Zumba') trabalhou uma fotografia mais naturalista, enquanto Pedro Farkas ('Não Por Acaso') faz o mesmo, porém, com uma iluminação diferente. Ele, aliás, relembra a sua carreira e mostra que trabalhar com fotografia foi praticamente algo que estava no sangue. Seu pai é o famoso fotógrafo e produtor Thomas Farkas.

Walter Carvalho ('Central do Brasil') é quem faz as opções mais criativas, usando luz de velas e de relâmpagos para iluminar o cenário. Além de fotógrafo, ele é diretor bissexto e prepara primeiro longa de ficção que dirigirá sozinho, 'Budapeste', baseado no romance homônimo de Chico Buarque. Em seu currículo tem outros em co-direção, como 'Cazuza -- O Tempo Não Pára' e o documentário 'Janela da Alma'.

O último diretor de fotografia a dirigir a cena é Mario Carneiro (morto em outubro do ano passado), cujo currículo inclui '500 Almas' e 'O Padre e a Moça'. Nos últimos anos, ele também se dedicou a filmes sobre artes plásticas -- para ele, a mãe da fotografia -- e co-dirigiu 'Milton Dacosta: Construções Íntimas' (1998), ao lado de Roman Stulbach.

O maior acerto da diretora Cristina Leal é não deixar o filme didático, sem esquecer no entanto o espectador que não possui conhecimento técnico. As cenas que ilustram os depoimentos, garimpadas das obras dos entrevistados, mostram a abrangência do cinema brasileiro e são muito bem aproveitadas pela edição de Marcelo Moraes e Luiz Guimarães de Castro.

Talvez a maior ausência sentida entre os entrevistados é Antonio Luiz Mendes, diretor de fotografia de filmes como 'Eternamente Pagu' e 'Das Tripas Coração'. Mas ele está presente em 'Iluminados', do outro lado da câmera, filmando seus colegas.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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