Estréia de Matheus Nachtergaele como diretor é exibida em Cannes

A mostra paralela Um Certo Olhar exibe nesta quarta-feira (21), em Cannes, a estréia do ator Matheus Nachtergaele atrás das câmeras. Filmado na Amazônia, A Festa da Menina Morta mostra um Brasil com olhos voltados para o misticismo, em que a fé para superar a dor da morte recai sobre os objetos mais inusitados.

Da Redação do Último Segundo |

Aos 39 anos e com um currículo eclético, repleto de trabalhos na TV e no cinema, Nachtergaele se tornou um rosto conhecido tanto no exterior, graças aos sucessos internacionais "Cidade de Deus" e "Central do Brasil", como no Brasil, ancorado pelo fenômeno de público "Auto da Compadecida".

Divulgação
Matheus Nachtergaele estréia atrás das 
câmeras em longa filmado na Amazônia
A adaptação de Ariano Suassuna, por sinal, foi o estopim para a "A Festa da Menina Morta", já que a idéia para o roteiro surgiu quando, durante uma folga no interior da Paraíba, o ator acabou presenciando uma cerimônia religiosa pouco convencional.

Na história do filme, que teve locações em Barretos, no Amazonas, um rapaz ¿ interpretado por Daniel de Oliveira, famoso nas telas por interpretar Cazuza em "O Tempo Não Pára" ¿ encontra o vestido de uma garota desaparecida e passa a ser encarado como santo pelo povo local, que acredita que ele pode se comunicar com a menina.

"Acho que a gente conseguiu, de alguma forma e sem ser um filme de antropologia, fazer de a 'Menina Morta' um amálgama das nossas religiões", afirma Nachtergaele. "Tem traços catolizantes, da pajelança indígena, do candomblé, do espiritismo. É o pai-nosso dito em tupi."

O agora cineasta também garante que o longa-metragem tem a intenção de apresentaras pessoas que vivem na Amazônia para os próprios brasileiros, que desconhecem a realidade do norte do país, e fazer com que os habitantes da região também se sintam integrantes do Brasil.

Além de Oliveira e atores amazonenses, estão no elenco do filme Paulo José, Cássia Kiss e Dira Paes. Por se tratar de um produção independente, a estréia em território nacional ainda está definida. Nesse meio, o filme deve transitar pelo circuito de festivais no Brasil e exterior.

Brasil em Cannes

Além de "A Festa da Menina Morta", o filme "Afterschool" também foi exibido na mostra "Um Certo Olhar". A estréia na direção de Antonio Campos ¿ filho do jornalista Lucas Mendes, mas nascido nos EUA ¿ recebeu elogios da crítica, que a comparou principalmente a "Paranoid Park", de Gus Van Sant. Já o documentário O Mistério do Samba, que conta com a participação de Marisa Monte para narrar o cotidiano da Velha Guarda da Portela, encerrará a mostra Cinéma de la Plage.

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infográfico de Cannes 2008

Na competição oficial, concorrendo à Palma de Ouro, há dois representantes do país. "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, foi muito aplaudido durante sua exibição e chegou a emocionar parte da platéia. Já "Blindness - Ensaio sobre a Cegueira", adaptação de Fernando Meirelles para a obra de José Saramago, projetado na abertura do festival, não sensibilizou a crítica especializada, que se dividiu entre os que adoraram e os que rejeitaram com veemência a produção.

Com presença cativa em Cannes, os curtas-metragens brasileiros terão quatro representantes nesta edição. "Areia", de Caetano Gotardo, e "A espera", de Fernanda Teixeira, estão na lista de filmes da 47ª Semana Internacional da Crítica, que será realizada entre 15 e 23 de maio, e que premiou no ano passado Um Ramo, dos paulistas Juliana Rojas e Marco Dutra. O curta "Muro", do pernambucano Tião, foi selecionado para a mostra Quinzena dos Realizadores. O quarto e último curta brasileiro é "O som e o resto", de André Lavaquial e Rodrigo Rueda Terrazas, que estará na mostra Cinéfondation.

Com informações da Reuters

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