Estilo Daspu ganha fôlego em parceria com designers de moda

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As cores das camisinhas deram o tom às criações da grife de prostitutas Daspu, que apresentou na noite de quinta-feira a coleção de verão 2009, Cruzadas, entre o Botão e a Espada, desta vez elaborada em parceria com um grupo de profissionais da moda. Inspirados nelas e no conceito de rua, os modelos foram desenvolvidos por integrantes do Curso de Design de Moda da Universidade Fumec, de Belo Horizonte.

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A coleção renovou a bandeira de 'mudar atitudes', com imagens e frases que fazem referência às prostitutas e exploram a sensualidade. A coroa reinou nas estampas e, por vezes, vinha com a inscrição 'PU' na base.

'A coroa representa o universo da rainha e quando a imagem é virada se transforma no peito, que faz parte do corpo. E o universo delas está no corpo', disse a diretora do curso de Design de Moda da Fumec, Gabriela Ferreira Torres.

A experiente Maria Nilce, profissional do sexo que integra os desfiles desde a estréia da Daspu, abriu a noite com um minivestido cinza e preto, num estilo mais sóbrio, que logo foi se desfazendo com modelos coloridos, curtos e decotados.

Pink e verde-limão prevaleceram, lembrando as camisinhas, mas o vermelho também foi soberano. Camisetas e vestidos de malha, frequentes desde a fase inicial da grife, permanecem, mantendo o espírito combativo.

'Dentro do contexto de batalha, buscamos frases entre elas, adaptamos trocadilhos, fizemos referências à postura que adotam na rua e exploramos frases que aumentam a auto-estima, como a Daspu vem fazendo desde o início', explicou Rangel Malta, 27, formado em design gráfico e integrante do grupo que criou os modelos.

O desfile, no circuito off-Fashion Rio, foi na quadra da Unidos da Tijuca, e o casamento Daspu-samba teve o ponto alto nas mãos da modelo Nana Gouvêa, habitué do Carnaval carioca.

Com coletinho e short pretos, com a coroa da grife aplicada em dourado, Nana esquentou a passarela ao tirar a parte de cima da roupa e cobrir os seios com as mãos e o longos cabelos.

A grife de prostitutas Daspu, criada pela organização não-governamental Davida em 2005, gera recursos para projetos sociais da entidade. A ONG, coordenada por Gabriela Leite, é destinada a prostitutas e clientes, atuando na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids.

A 'cruzada', segundo a ONG, 'reflete a batalha Daspu, onde prostitutas e simpatizantes são modelos de resistência, de identidade e de afirmação, criando moda para criar respeito e auto-estima, sem perder a sedução, o humor e a ironia da grife'.

(Por Maria Pia Palermo)

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